O Fundo Monetário Internacional (FMI) elevou a projeção de crescimento da economia global para 2026, passando de 3% para 3,1%. O revisão positiva é impulsionada pelos fortes investimentos em inteligência artificial (IA), que ajudam a mitigar os impactos da guerra no Oriente Médio e da alta nos preços da energia, embora os riscos para o cenário mundial permaneçam.
A estimativa foi apresentada no relatório “Perspectiva Econômica Global”, lançado durante as reuniões anuais do FMI e do Banco Mundial, realizadas em Bangcoc. Para 2027, a instituição prevê que o crescimento global atinja 3,4%, mantendo a estimativa anterior de julho e superando em 0,2 ponto percentual a projeção de abril. No entanto, o FMI aponta uma concentração do avanço econômico: atualmente, apenas 32 países respondem por 95% do crescimento global, frente a 54 em abril.
O avanço tecnológico tem beneficiado grandes economias que desenvolvem plataformas de IA e nações fornecedoras de equipamentos para o setor, a exemplo de Coreia do Sul, Malásia, México e Tailândia. Dados do comércio internacional citados pela economista-chefe do FMI, Silvana Tenreyro, indicam que as exportações de itens ligados à inteligência artificial cresceram 29% entre 2023 e 2025, superando em mais de três vezes a expansão de 8,3% do comércio global no mesmo período.
Apesar da resiliência econômica, Tenreyro destacou que a margem de segurança está no limite. Entre os principais riscos listados pelo FMI estão o prolongamento do conflito no Oriente Médio — com potencial impacto inflacionário —, a alta nos juros dos títulos públicos, eventos climáticos extremos ligados ao El Niño e uma possível reavaliação das expectativas de retorno sobre os investimentos em IA por parte dos investidores.
A diretora-gerente do FMI, Kristalina Georgieva, resumiu as incertezas ao declarar que a economia mundial está cada vez mais dependente do setor tecnológico. “Agora temos uma economia que se sustenta em uma perna só, a perna da IA”, afirmou Georgieva. “E se ela vacilar? E se houver decepção e isso levar a um ambiente potencialmente mais difícil?”
Por outro lado, o FMI calcula que cenários de adoção acelerada da tecnologia poderiam elevar o PIB global em até 0,6% até 2029, com ganhos concentrados nos Estados Unidos e na China. Em contrapartida, caso os ganhos de produtividade esperados não se concretizem, uma queda acentuada nos investimentos poderia reduzir o PIB dos Estados Unidos em 0,8% e o de países asiáticos exportadores de tecnologia em até 0,4% até 2028.
Desempenho regional e projeções específicas
- Estados Unidos: O FMI manteve a previsão de crescimento em 2,3% para 2026 e elevou a estimativa de 2027 em 0,1 ponto percentual, também para 2,3%.
- Zona do Euro: A projeção de crescimento para 2026 subiu de 0,9% para 1,1%, refletindo o aumento de gastos com defesa e investimentos em IA.
- Reino Unido: A estimativa avançou 0,3 ponto percentual, alcançando 1,3% para 2026, amparada por investimentos em tecnologia.
- China: O FMI estimou o crescimento em 4,5% para 2026 e 4,0% para 2027, ficando 0,1 ponto percentual abaixo das projeções anteriores devido à pressão do petróleo e ao consumo interno fraco.
- Índia: Continua como a grande economia com maior ritmo de expansão, com alta projetada de 7,0% do PIB em 2026 e 2027.
- Oriente Médio e economias afetadas pela guerra: Países dependentes de energia importada e sem laços com cadeias de IA sofreram revisões negativas. A Arábia Saudita deve registrar queda de 3,3% no PIB em 2026, enquanto Irã, Iraque, Kuwait, Catar e Emirados Árabes Unidos enfrentam previsões de recessão com quedas expressivas em suas economias.
A inflação global projetada é de 4,7% para 2026, com desaceleração para 4,1% em 2027. Diante do quadro de endividamento elevado nas economias avançadas e das pressões inflacionárias, o FMI reforçou a recomendação para que os governos adotem políticas de recomposição fiscal e mantenham planos voltados à sustentabilidade da dívida a médio prazo.
