A polícia da Bolívia prendeu no domingo, 2, o ex-deputado estadual de Mato Grosso do Sul Roberto Razuk Filho, conhecido como Neno Razuk (PL). As autoridades brasileiras procuravam o ex-parlamentar desde o início de julho deste ano, depois de a Justiça determinar a prisão dele para cumprimento de pena de quinze anos de prisão — no regime inicial fechado — por crimes de organização criminosa, roubo e vínculo com o jogo do bicho.
Neno já está em solo brasileiro, depois de ser entregue à Polícia Federal na fronteira entre os dois países. O Poder Judiciário havia solicitado a inclusão do nome dele na Difusão Vermelha da Interpol (polícia internacional) há uma semana.
O político havia sido condenado em 2025, mas, como ocupava cargo no Poder Legislativo de Mato Grosso do Sul, contava com foro privilegiado. No primeiro semestre deste ano, ele deixou a Casa depois de recontagem de votos da eleição de 2022, que alterou as posições de votos. Consequentemente, ele ficou sem imunidade parlamentar. “Hoje encerro um ciclo de quase oito anos na Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul (… ). Levo comigo a certeza de que lutei por causas importantes”, disse em trecho da publicação feita para seus seguidores, por meio das redes sociais, em 21 de maio.
De acordo com o Ministério Público do Mato Grosso do Sul (MPMS), o político e parentes foram alvos da quarta fase da Operação Successione — continuidade da Omertà. “A Operação Successione teve como objetivo desarticular uma organização criminosa armada que buscava assumir o controle do jogo do bicho em Campo Grande após a desarticulação de outro grupo na Operação Omertà, o que explica o nome. A investigação revelou uma estrutura hierarquizada, com divisão de tarefas, uso de tecnologia para apostas ilegais e planejamento de ações violentas contra rivais”, disse o MPMS, em nota publicada na ocasião.
Continua após a publicidadeDurante as investigações, foram apreendidas 705 máquinas eletrônicas utilizadas para apostas, veículos e documentos que comprovam a atividade ilícita. Para a Justiça local, o grupo é”uma organização formada por diversas pessoas para praticar crimes diversos, muitos deles graves, por período indeterminado, estruturada, complexa e armada. A tomada do território não seria diplomática, mas operacionalizada por intermédio de ações à mão armada”, descreve trecho da decisão judicial. Segundo apuração das investigações, o grupo de Neno teria receio da participação do Primeiro Comando da Capital (PCC) na disputa pelos jogos ilícitos na região ao se alinharem aos rivais. O espaço está aberto para manifestação da defesa do ex-deputado.
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