O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, oficializou no domingo, 4, a criação da Super Intelligence Force (SIF). A nova força-tarefa da Casa Branca tem como objetivo coordenar a atuação do governo federal voltada para a inteligência artificial. Com a medida, Trump ordenou que a administração pública substitua a nomenclatura antiga e passe a adotar o termo “superinteligência”.
Para encabeçar o grupo, o presidente americano nomeou o diretor de Inteligência Nacional, Jay Clayton. A composição da força-tarefa conta ainda com Andrew Ferguson, presidente da Comissão Federal de Comércio (FTC); Emil Michael, subsecretário de Pesquisa e Engenharia e diretor de tecnologia do Pentágono; e Scott Kupor, diretor do Escritório de Gestão de Pessoal. O colegiado prestará contas diretamente a Trump e à chefe de gabinete da Casa Branca, Susie Wiles.
A formalização do grupo ocorre após uma cúpula realizada na terça-feira anterior, que reuniu os principais executivos da OpenAI, Anthropic, Google, Meta, Nvidia e da SpaceXAI, empresa de Elon Musk. Na ocasião, as companhias firmaram um acordo voluntário de uma única página, tratado por Trump como uma “constituição”. O documento estabelece quatro camadas de controles e auditorias, abrangendo avaliações internas, auditorias conduzidas por terceiros, revisões em nível de conselho e reuniões periódicas destinadas a fixar padrões de segurança e boas práticas.
Trump definiu os padrões estabelecidos como “moralmente vinculantes” e destacou que observa “muita autorregulação”, reiterando a posição de que sua gestão não planeja impor uma regulação formal ao setor. Conforme apuração da ABC News, o anúncio inicial apresentou poucos detalhes e deixou de definir autoridades de supervisão ou mecanismos específicos de fiscalização para a força-tarefa.
A criação da SIF sucede uma postagem feita por Trump em 19 de setembro na plataforma Truth Social, na qual ele indicou que instituiria uma “AI Force” e designaria um czar, fazendo um paralelo com a Força Espacial. Naquela oportunidade, o presidente qualificou como “farsa” as preocupações existenciais ligadas à tecnologia, embora tenha reconhecido que a legislação penal e civil vigente será aplicada para coibir condutas ilícitas.
O cenário regulatório e de segurança em torno da tecnologia enfrenta pressões diversas. Especialistas da Anthropic alertaram que sistemas avançados de IA poderiam, teoricamente, apresentar riscos letais, enquanto o presidente executivo da empresa, Dario Amodei, divulgou um ensaio no qual defende a desaceleração do avanço tecnológico de ponta. No âmbito legislativo federal, uma proposta bipartidária apresentada pelos deputados Ted Lieu e Nathaniel Moran exigiria que desenvolvedores mantivessem mecanismos de desligamento de emergência, além de conferir ao secretário de Segurança Interna a prerrogativa de ordenar a interrupção de sistemas julgados perigosos. Em âmbito estadual, o governador da Califórnia, Gavin Newsom, promulgou em setembro uma ordem executiva para estender a fiscalização, ao passo que os governadores Abigail Spanberger (Virgínia) e Josh Shapiro (Pensilvânia) também se posicionam a favor de medidas regulatórias.
Em entrevista concedida ao jornal The Wall Street Journal no sábado, 3, Jay Clayton abordou a iniciativa sob uma perspectiva competitiva. “O risco de não ser o primeiro é alto”, declarou, argumentando que ficar atrás na corrida tecnológica elevaria os perigos frente a adversários. O diretor de Inteligência Nacional apontou que o grupo examinará as leis atuais e debaterá possíveis intervenções do Congresso, tendo como parâmetro os modelos de risco do setor financeiro concebidos em conjunto com o Federal Reserve e a SEC. Os desdobramentos práticos dependem dessa análise regulatória.
