Novas imagens armazenadas na nuvem do celular da lobista Roberta Luchsinger mostram viagens realizadas ao lado de Fábio Luís da Silva, o Lulinha, primogênito do presidente da República. Entre os registros, destaca-se um deslocamento em um jatinho Embraer Praetor 600 — modelo novo avaliado em mais de 20 milhões de dólares — durante uma viagem à Finlândia no início do ano passado para observar a aurora boreal.
De acordo com investigações da Polícia Federal, Luchsinger e Lulinha formavam um núcleo de atuação permanente voltado para a defesa de interesses privados e a negociação de contratos milionários no governo federal. A corporação aponta que a lobista captava clientes, enquanto o filho do presidente utilizava sua proximidade com o Palácio do Planalto para destravar demandas sensíveis. Mensagens recuperadas pelos investigadores embasam inquéritos que apuram tráfico de influência e corrupção.
O padrão de vida de Lulinha no exterior, onde reside em Madri desde junho do ano passado, também entrou no escopo das apurações e dos relatos de Luchsinger. A empresária sugeriu que empresários ligados a grandes contratos públicos auxiliam no custeio das despesas do primogênito na Espanha. Entre os citados está Amauri Rodrigues Pinha, presidente do conselho de administração da Empresa Construtora Brasil (ECB) — ligada ao grupo Mota-Engil, vencedora do leilão do túnel Santos-Guarujá e de contrato com a Petrobras —, apontado como ex-vizinho do filho do presidente em São Paulo.
A defesa de Lulinha, representada pelo advogado Marco Aurélio Carvalho, sustenta que o primogênito se sustenta no exterior por meio do próprio trabalho na área de consultoria e governança. O advogado afirma que tais atividades rendem dividendos suficientes para o padrão de vida de Lulinha.
As investigações também apontam a utilização de uma mansão alugada em Brasília, custeada por Luchsinger por mais de um ano com despesas mensais superiores a 100 mil reais, para reuniões e festas que reuniram autoridades e empresários, como Antonio Carlos Camilo, conhecido como Careca do INSS. Segundo a Polícia Federal, o grupo mantinha laços com integrantes do primeiro escalão e do Palácio do Planalto, incluindo o ex-chefe de gabinete Marco Aurélio Santana, o Marcola, cujas contas eram pagas pela lobista.
Após declarações públicas do presidente Lula negando conhecer a lobista e classificando-a como "pilantra" e "Vorcaro feminino", além de episódios de ameaças direcionadas a uma de suas filhas, Luchsinger concedeu entrevista à CNN Brasil afirmando o desejo de realizar uma delação premiada para expor detalhes da relação e das negociações com o primogênito do presidente.
