Fundador do Partido Social Democrático (PSD) e atual Secretário Extraordinário de Projetos Estratégicos do Governo de São Paulo, Guilherme Afif Domingos avalia que, apesar das dificuldades enfrentadas pela terceira via na corrida presidencial, a legenda tem potencial para registrar um crescimento expressivo de representação no Congresso Nacional.
Nas eleições presidenciais, o partido tentou desafiar a hegemonia do lulopetismo e do bolsonarismo com uma chapa liderada pelo ex-governador de Goiás, Ronaldo Caiado, tendo como candidato a vice Gilberto Kassab, que também preside a sigla. No entanto, a poucos dias da disputa, as pesquisas de intenção de voto apontam que a alternativa não se viabilizou de forma prática.
Em declaração concedida à coluna Radar, Afif pontuou que o foco principal de Kassab na eleição é a expansão da representatividade política. Segundo o político, a polarização observada na disputa pela Presidência da República não se estende automaticamente para a base eleitoral, permitindo que eleitores mantenham posições independentes e locais.
Para fundamentar a projeção de crescimento legislativo, o secretário lembrou que o PSD elegeu 887 prefeituras no pleito municipal realizado dois anos antes, tornando-se a legenda com o maior número de líderes municipais eleitos no país, conforme dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Na avaliação de Afif, a forte influência dos prefeitos na eleição de deputados indica que o desempenho do partido deve ser avaliado primordialmente nos cargos de representação parlamentar, e não na disputa pelo Poder Executivo federal.
Apesar de o antagonismo entre petistas e bolsonaristas — persistente desde o pleito de 2022 — ter impactado negativamente a campanha de Ronaldo Caiado, Afif avalia que o ex-governador merecia mais votos por sua atuação como administrador, mesmo contando com 87% de aprovação entre os eleitores goianos em levantamento da Quaest divulgado em julho.
Por fim, o titular da pasta paulista projeta que a radicalização política atual não deve se sustentar após o encerramento do pleito. Caso a tese se concretize, Guilherme Afif acredita que Ronaldo Caiado ou o aliado Tarcísio de Freitas poderão assumir o protagonismo da direita no cenário político de 2030.
