Estudo revela presença de compostos químicos potencialmente perigosos em fraldas descartáveis
Um estudo do Environmental Working Group (EWG) identificou que fraldas descartáveis podem liberar compostos orgânicos voláteis (VOCs), como tintas, corantes, adesivos e agentes branqueadores de cloro. Esses vapores podem causar irritação na pele, nos pulmões e reações alérgicas em bebês, além de estarem associados a casos de câncer. Traços de acrilamida, substância ligada a tumores em roedores, também foram encontrados nas camadas internas das fraldas.
Outro composto identificado, os compostos de amônio quaternário (QACs), presentes em indicadores de umidade e lenços umedecidos, tem sido associado a inflamações, alterações hormonais e danos ao sistema respiratório e cerebral em desenvolvimento. Segundo Rebecca Fuoco, diretora de comunicação científica do Green Science Policy Institute, os QACs podem se tornar "a próxima grande história química tóxica".
Além disso, as fraldas podem conter ftalatos, plastificantes usados para aumentar a flexibilidade do material. Estudos relacionam esses compostos a problemas reprodutivos, como malformações genitais em meninos, menor contagem de espermatozoides e casos de asma e obesidade infantil. Um estudo de março de 2024 apontou que dois tipos de ftalatos (DEHP e DiNP) podem ter sido responsáveis por quase 2 milhões de nascimentos prematuros e 74 mil mortes de recém-nascidos em 2018.
Legislação nos EUA busca maior transparência
A Califórnia aprovou o Projeto de Lei da Assembleia 1901 (AB 1901), que exige que fabricantes de fraldas descartáveis divulguem todos os ingredientes utilizados nos produtos vendidos no estado. A lei, que deve ser sancionada pelo governador Gavin Newsom, determina que as informações estejam disponíveis online até dezembro de 2028 e impressas nos rótulos até janeiro de 2029. Nova York e Illinois já possuem legislações semelhantes, com prazos de implementação até 2025 e 2027, respectivamente.
A ausência de uma lei federal nos EUA que obrigue a divulgação de ingredientes em fraldas motivou a atuação de estados como a Califórnia. A atriz Hilary Swank, que atuou como defensora da causa, relatou ter descoberto os riscos ao usar fraldas descartáveis durante a gravidez de seus gêmeos. "Aprendi que não posso assumir que um produto é seguro só porque é comercializado para parecer assim", afirmou Swank à CNN.
Segundo especialistas, a pele dos bebês é mais fina e permeável, o que aumenta a absorção de substâncias químicas. "Fraldas ficam em contato com a pele do bebê 24 horas por dia, 7 dias por semana, tornando-os mais vulneráveis aos efeitos tóxicos", explicou Swank.
Como escolher fraldas mais seguras?
O Environmental Working Group (EWG) recomenda evitar fraldas com padrões coloridos, indicadores de umidade e fragrâncias, pois esses elementos podem conter metais pesados e outros compostos nocivos. A organização mantém um banco de dados com marcas que já divulgam seus ingredientes de forma transparente.
Hilary Swank, que opta por fraldas sem corantes ou fragrâncias, sugere que os pais priorizem produtos com rótulos claros e busquem informações em sites de verificação, como o EWG. "Comece devagar e foque nos itens essenciais que entram em contato constante com o bebê, como fraldas, lenços umedecidos e cremes", orienta Swank. "Você não precisa ser perfeito, mas sim informado."
Fonte: https://www.cnnbrasil.com.br/saude/pode-haver-toxinas-na-fralda-do-seu-bebe-e-nao-sao-fezes/
