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Economia

França enfrenta crise fiscal com dívida acima de US$ 4 trilhões

Especialista aponta que França sofre com dívida superior a US$ 4 trilhões, déficit contínuo e juros elevados que pressionam o cenário fiscal.

Redação•10 de out. de 2026, 18:30
França enfrenta crise fiscal com dívida acima de US$ 4 trilhões
Imagem: site

França enfrenta crise fiscal com dívida acima de US$ 4 trilhões

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A economia francesa atravessa um momento fiscal delicado, impulsionado por uma dívida pública elevada, déficit constante e taxas de juros em alta. De acordo com dados de junho, o endividamento do país ultrapassou a marca de US$ 4 trilhões, superando o próprio Produto Interno Bruto (PIB) nacional. O cenário coincide com protestos de estudantes que mantêm bloqueios em escolas de diferentes regiões, enquanto o governo anunciou o envio de cerca de 3 mil docentes para combater a escassez de profissionais na educação.

Três fatores negativos simultâneos

Em análise concedida ao CNN Money, Guilherme Almeida, especialista da Suno Research, apontou que o panorama francês resulta da combinação simultânea de três variáveis desfavoráveis. "Primeiro, nós temos um estoque alto da dívida, passando dos US$ 4 trilhões, o que representa pouco mais de 120% da relação dívida-PIB. Segundo, nós temos um déficit persistente — a França não gera superávit orçamentário desde 1974, então estamos falando de pouco mais de cinco décadas. E, por último, nós temos o juro elevado, que inclusive se situa acima do crescimento nominal do PIB", declarou o analista.

Segundo Almeida, sem a adoção de medidas corretivas, a aritmética simples indica que o custo da dívida se tornará insustentável. O especialista também chamou atenção para fatores conjunturais que agravam o quadro, a exemplo dos conflitos globais — com destaque para o Oriente Médio —, que elevam as cotações do petróleo e alimentam pressões inflacionárias. Soma-se a isso a política monetária restritiva adotada pelo Banco Central Europeu e o fato de a França não emitir moeda própria, por integrar a zona do euro.

Histórico fiscal e sistema previdenciário

O analista detalhou a trajetória das contas públicas francesas ao lembrar que, entre as décadas de 1970 e 1990, os juros eram altos, mas o volume da dívida permanecia baixo. Posteriormente, de 2000 a 2019, o Banco Central Europeu adquiriu títulos públicos dos países membros, o que conteve o custo do endividamento, chegando a registrar períodos de taxas negativas.

"Agora não temos essa política de compra de títulos por parte do Banco Central Europeu, ele está aumentando os juros, a França não emite moeda própria e está com o fiscal persistentemente deteriorado", pontuou Almeida. Além disso, o especialista apontou o sistema previdenciário como um desafio estrutural: a idade de aposentadoria no país é inferior à média mundial e à de outras nações da União Europea e dos Estados Unidos, o que direciona grande parte do orçamento para a previdência e pressiona o erário.

Risco de crédito e reflexos no Brasil

Questionado sobre a possibilidade de um resgate financeiro por parte do Banco Central Europeu nos moldes do que ocorreu com Grécia, Portugal e Espanha, Almeida destacou que o mercado nutre dúvidas, visto que a França atualmente não preenche todos os requisitos exigidos desde 2015, como a implementação de cortes de gastos. "Isso leva a um risco de crédito maior e a exigência de uma remuneração acaba aumentando", afirmou.

Apesar de o CDS (seguro contra calote) registrar máximas na última década, o analista descarta um default no curto prazo. "O CDS, que mede uma espécie de seguro contra calote, está nas máximas da última década, mas a probabilidade implícita de default está em torno de 1%. Gera uma preocupação no mercado, o mercado passa a exigir uma remuneração maior para prazos mais longos, mas eu não diria que é algo que vá se materializar de fato no curto prazo", concluiu.

Para o Brasil, a avaliação é de que a tendência de alta nos juros longos ao redor do planeta pode influenciar os rendimentos de longo prazo brasileiros, refletindo-se especialmente nos vértices de 10 anos.

Fonte: https://www.cnnbrasil.com.br/economia/money/macroeconomia/franca-sofre-com-divida-alta-deficit-e-juros-diz-especialista/

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