A rejeição ao PT e a frustração de eleitores que esperavam uma melhora nas condições de vida são fatores centrais que favorecem Flávio Bolsonaro na disputa presidencial. A avaliação foi feita por Lucas Thut Sahd, diretor-executivo do Real Time Big Data, durante participação no programa Ponto de Vista desta terça-feira, 20, apresentado por Laísa Dall’Agnol e com a presença de Robson Bonin, editor da coluna Radar, de VEJA.
Segundo Sahd, a percepção de que a vida não melhorou como o esperado ajuda a explicar a adesão ao candidato do PL e as dificuldades de Lula para ampliar seu apoio no segundo turno. Nas pesquisas qualitativas conduzidas pelo instituto, a sensação predominante entre o eleitorado é de que a situação cotidiana não correspondeu às expectativas iniciais.
Como a frustração alimenta o antipetismo
Questionado sobre o peso da oposição ao PT e o desejo de mudança, o diretor-executivo dividiu esse movimento em dois componentes. O primeiro envolve a oposição ideológica tradicional da direita, enquanto o segundo decorre da expectativa não cumprida de avanço na vida do trabalhador durante o governo Lula. Para o especialista, essa insatisfação amplia a resistência ao atual presidente para além de sua base contrária histórica.
O levantamento mencionado no programa aponta Flávio Bolsonaro com 52% dos votos válidos, contra 48% de Lula.
Origem do apoio adicional a Flávio
O diretor do Real Time Big Data apontou que o candidato do PL também se beneficia da transferência de votos de nomes derrotados no primeiro turno, a exemplo de Renan Santos e Ronaldo Caiado. De acordo com ele, parte desse deslocamento ocorreu ainda antes do segundo turno, quando eleitores da chamada terceira via optaram por Flávio na votação inicial devido à rejeição ao PT.
Desafios para Lula e cenários futuros
Para atrair o eleitorado que se absteve ou que não votou nos finalistas, Sahd avalia que Lula precisa apresentar propostas concretas. Embora tenha reconhecido o apelo do presidente pelo comparecimento às urnas, o especialista questionou a eficácia de manter uma campanha voltada estritamente ao confronto com o adversário, argumentando que o eleitor busca alternativas e razões para participar da decisão.
Sobre os percentuais de 52% a 48%, Sahd destacou que o cenário reflete o momento retratado pelo levantamento e serve para identificar tendências e o comportamento do eleitorado na reta final da disputa.
