O sistema energético global enfrenta um cenário de extrema pressão com o avanço do furacão Isaias sobre o território norte-americano, em um período considerado por especialistas como o pior momento em 25 anos para a ocorrência de tal evento. A tempestade atinge o setor quando refinarias e estoques operam próximos de seus limites máximos e mínimos, respectivamente.
As refinarias dos Estados Unidos, localizadas em sua maioria na Costa do Golfo, vinham operando no limite de sua capacidade para suprir interrupções provocadas por conflitos e restrições internacionais. Segundo Robert Yawger, diretor de futuros de energia da Mizuho Securities, o fenômeno pode representar um evento de grandes proporções. De acordo com o especialista, o impacto real dependerá da trajetória exata e da intensidade do furacão.
Previsões iniciais apontavam que o fenômeno deveria atingir uma área a leste de Nova Orleans, o que poderia poupar parte da infraestrutura energética essencial do pior impacto. Mesmo assim, companhias como Shell, Chevron e BP adotaram medidas preventivas, retirando funcionários não essenciais de plataformas no Golfo do México e reduzindo suas atividades.
Dados da agência federal Marine Minerals Administration indicavam que, até o meio-dia de quinta-feira, a produção de petróleo no Golfo do México sofreu uma paralisação de cerca de 1,3 milhão de barris diários, o que representa 63% da capacidade da região. No caso do gás natural, cerca de 57% da produção atual na mesma área foi interrompida.
Especialistas apontam que danos adicionais podem comprimir ainda mais as cadeias de suprimento e elevar os preços do setor, que já registram patamares historicamente elevados devido a fatores como conflitos no Oriente Médio, ataques de drones na Rússia e restrições de exportação impostas pela China.
De acordo com Andy Lipow, presidente da Lipow Oil Associates, cerca de 2,7 milhões de barris diários de capacidade de refino nos Estados Unidos (14% do total nacional) estão localizados no trajeto previsto ou próximo dele. O especialista projeta reduções nas atividades de refino em regiões como Nova Orleans, Baton Rouge, Mississippi e Alabama, além de possíveis atrasos em petroleiros que atendem ao estado da Flórida.
O sistema energético conta com margens reduzidas de manobra. Os estoques comerciais de gasolina atingiram recentemente o menor patamar sazonal desde 2012, enquanto os estoques de destilados registram os menores volumes para o início de outubro desde o início da série histórica, na década de 1980. Além disso, a Reserva Estratégica de Petróleo (SPR) dos EUA foi reduzida para cerca de 283 milhões de barris, o nível mais baixo desde 1982.
Diante do cenário de restrições globais de refino na Rússia, no Oriente Médio e na China, o parque de refino norte-americano — que operava a cerca de 95% de sua capacidade — constitui uma das principais fontes remanescentes para o abastecimento mundial.
As projeções indicavam que o furacão Isaias poderia alcançar o pico como uma tempestade de Categoria 2, com ventos de 110 mph, antes de perder intensidade e tocar o solo. Analistas estimam que, mesmo com a ocorrência de um furacão de Categoria 1, o restabelecimento completo das operações de refino pode levar cerca de uma semana.
