Enquanto as casas de apostas ganharam espaço expressivo nos investimentos publicitários do futebol brasileiro, as competições de futebol feminino mantêm um portfólio de patrocinadores mais diversificado. Torneios importantes organizados pela CBF, a exemplo do Brasileirão Feminino A1, da Copa do Brasil Feminina e da Supercopa Feminina, não contam atualmente com plataformas de apostas entre os seus apoiadores, reunindo empresas de diferentes setores da economia.
Essa movimentação também se estende para fora do calendário da entidade. Em 2026, a Petrobras passa a figurar com espaços de patrocínio em dois torneios que tiveram marcas do segmento de apostas como principais parceiras em temporadas anteriores: a Brasil Ladies Cup e a Copa Maria Bonita.
O cenário comercial ganhou novos contornos com a Medida Provisória nº 1.394, editada pelo governo federal em 25 de setembro de 2026. O texto estabelece a proibição da exploração, da oferta, da intermediação e da publicidade de apostas de quota fixa no país, abrangendo também os patrocínios esportivos. Contudo, a norma ainda precisa passar pela análise do Congresso Nacional para que sua validade seja mantida. A repercussão da medida incluiu protestos de clubes e declarações como "o futebol vai acabar".
Petrobras assume espaço de bets em torneios
Na Brasil Ladies Cup, a substituição ocorre na cota de patrocinador máster. Em 2025, a principal propriedade comercial da competição pertencia à Betano. No ano de 2026, a Blaze assumiu inicialmente a posição, antes de a Petrobras passar a ocupar o espaço de destaque no torneio.
Uma dinâmica semelhante acontece na Copa Maria Bonita, principal competição de futebol feminino da região Nordeste. Na primeira edição, realizada em 2025, a Betnacional adquiriu os naming rights, fazendo com que o evento fosse oficialmente nomeado Copa Maria Bonita Betnacional. Para a segunda edição, em 2026, a Petrobras assume o patrocínio de título, alterando o nome oficial para Copa Maria Bonita Petrobras. A associação da estatal busca apoiar uma plataforma direcionada especificamente à visibilidade e ao desenvolvimento do futebol feminino nordestino.
Estratégia comercial unificada da CBF
No âmbito das competições administradas pela CBF, a estratégia comercial adotada baseia-se na diversificação. O ecossistema atual reúne sete grandes marcas de diferentes áreas:
- Amazon (comércio eletrônico e tecnologia)
- Coca-Cola (bebidas)
- Hyundai (automotivo)
- Uber (mobilidade)
- Itambé (laticínios)
- Monange (cuidados pessoais)
- Sicoob (financeiro e bancário cooperativo)
A presença de companhias de múltiplos setores diminui a concentração de receitas em um único segmento, permitindo um relacionamento de longo prazo. Os acordos firmados possuem duração média de três anos, o que assegura previsibilidade comercial e possibilita o desenvolvimento de ativações contínuas.
Uma alteração estrutural relevante ocorreu em 2025, quando as propriedades comerciais da modalidade deixaram de ser negociadas de forma isolada por campeonato. Elas passaram a integrar um pacote único, abrangendo o Brasileirão Feminino A1, a Copa do Brasil Feminina e a Supercopa Feminina de maneira simultânea, o que amplia a exposição oferecida aos patrocinadores durante toda a temporada.
A exclusividade dos direitos comerciais da categoria junto à CBF, para o ciclo entre 2025 e 2029, pertence à FSports, que atua em parceria com a agência Heatmap na comercialização das propriedades. Ao todo, o pacote reúne cerca de 240 partidas por temporada, alcançando uma audiência superior a 60 milhões de espectadores e gerando aproximadamente R$ 321 milhões em valor de mídia, de acordo com dados comerciais do projeto.
