Durante as décadas de 1920 e 1930, em metrópoles como Londres e cidades dos Estados Unidos, tornou-se comum o uso de gaiolas de arame para bebês suspensas nas janelas de edifícios residenciais. O método era uma tentativa de solucionar a falta de espaço urbano e, ao mesmo tempo, garantir a exposição solar recomendada por especialistas da época.
A justificativa médica da época
O surgimento das chamadas baby cages refletia o consenso médico do início do século XX. O pediatra norte-americano Luther Emmett Holt defendia que o banho de ar frio e a luz solar direta eram fundamentais para renovar os pulmões dos recém-nascidos e fortalecer o sistema imunológico. Além disso, pesquisas científicas daquele período indicavam que os raios ultravioleta ajudavam a prevenir e combater doenças graves, como o raquitismo infantil e a tuberculose. Como grande parte das famílias trabalhadoras residia em apartamentos compactos sem áreas verdes, levar os filhos para o ambiente externo representava um desafio de saúde pública.
A patente de Emma Read e a expansão em Londres
Em 1922, a inventora Emma Read, originária de Spokane, obteve o registro de uma estrutura metálica projetada para ser fixada na parte externa de janelas, conforme registros de patentes dos Estados Unidos. A intenção era permitir que o bebê descansasse ao ar livre enquanto os responsáveis executavam tarefas domésticas.
A prática cruzou o Atlântico e se popularizou na Inglaterra. Acervos da BBC e fotografias históricas documentam que entidades como a Chelsea Open-Air Nursery School, localizada em Londres, distribuíram tais dispositivos a mães que habitavam conjuntos residenciais. O equipamento, fabricado em ferro galvanizado, incluía telas protetoras contra quedas e para amenizar a força do vento.
Riscos e o fim da prática
Com o término da Segunda Guerra Mundial, o avanço nas áreas de segurança e engenharia evidenciou os perigos evidentes do dispositivo. Fatores como a falta de travas padronizadas, a possibilidade de falhas estruturais nas edificações e a poluição decorrente das cidades industriais resultaram no abandono progressivo da prática a partir de 1940. A evolução da pediatria e a proliferação de parques públicos urbanos fizeram com que a recomendação de expor crianças do lado de fora das janelas fosse completamente abandonada, transformando o artefato em um item de museus e registros históricos.
