A jurista Navanethem "Navi" Pillay, vencedora do Prêmio Nobel da Paz de 2026 e líder da Comissão Internacional Independente de Inquérito das Nações Unidas sobre os Territórios Palestinos Ocupados, tornou-se alvo de duras críticas por parte de Israel após apontar a ocorrência de genocídio contra os palestinos na Faixa de Gaza.
Em setembro de 2025, o painel liderado por Pillay divulgou um relatório concluindo formalmente que o Estado israelense cometeu atos de genocídio no enclave. Ao discursar na Assembleia Geral da ONU naquele ano, a jurista afirmou que as ações do governo israelense apontaram para a destruição sistemática da vida palestina em Gaza ao longo de dois anos.
O documento enviado às Nações Unidas apontou que altos líderes e o Estado israelense agiram com a intenção específica de destruir, no todo ou em parte, um grupo nacional e étnico, imputando também responsabilidade por incitação ao genocídio. A investigação detalhou que o cerco prolongado, a fome infligida e a destruição de infraestruturas vitais, como hospitais, redes de água e terras agrícolas, integraram um padrão deliberado para inviabilizar a vida no local, além de promover o deslocamento forçado da população.
Ao encerrar seu mandato, Pillay lamentou a insuficiência do sistema internacional e declarou que o sistema multilateral do pós-Segunda Guerra Mundial falhou em prevenir o genocídio. Outras investigações conduzidas por especialistas independentes e comissários da ONU, como a da relatora especial para territórios palestinos ocupados Francesca Albanese, chegaram a conclusões semelhantes.
A reação de Israel e a defesa do governo
O governo de Israel rejeitou veementemente as conclusões da comissão. Em comunicado oficial, o Ministério das Relações Exteriores israelense classificou o relatório como verborragia difamatória e narrativa maliciosa destinada a deslegitimar e demonizar o Estado. Tel-Aviv acusou o comitê de atuar em guerra jurídica e de basear suas conclusões em falsidades atribuídas ao Hamas, ignorando as atrocidades cometidas por combatentes palestinos.
A contraofensiva diplomática teve um de seus momentos mais marcantes no plenário da ONU, quando o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu classificou as acusações de genocídio como a maior mentira do século. Diante de diplomatas que deixaram o recinto em sinal de protesto, o premiê chamou os críticos de covardes morais e argumentou que o país atua em legítima defesa contra o Hamas.
Enquanto a comissão liderada por Pillay instou a comunidade global a suspender o envio de armas e a acionar a jurisdição universal, o governo israelense sustenta que emprega recursos para minimizar danos aos civis durante o conflito.
