NewsHub
Mundo

Ganhadora do Nobel da Paz denuncia genocídio em Gaza e vira alvo de Israel

Vencedora do Nobel da Paz de 2026, Navi Pillay liderou comissão da ONU que concluiu haver genocídio em Gaza, gerando forte reação do governo de Israel.

Redação•09 de out. de 2026, 09:30
Ganhadora do Nobel da Paz denuncia genocídio em Gaza e vira alvo de Israel
Imagem: site

Ganhadora do Nobel da Paz denuncia genocídio em Gaza e vira alvo de Israel

Ouça esta matéria em voz alta

A jurista Navanethem "Navi" Pillay, vencedora do Prêmio Nobel da Paz de 2026 e líder da Comissão Internacional Independente de Inquérito das Nações Unidas sobre os Territórios Palestinos Ocupados, tornou-se alvo de duras críticas por parte de Israel após apontar a ocorrência de genocídio contra os palestinos na Faixa de Gaza.

Em setembro de 2025, o painel liderado por Pillay divulgou um relatório concluindo formalmente que o Estado israelense cometeu atos de genocídio no enclave. Ao discursar na Assembleia Geral da ONU naquele ano, a jurista afirmou que as ações do governo israelense apontaram para a destruição sistemática da vida palestina em Gaza ao longo de dois anos.

O documento enviado às Nações Unidas apontou que altos líderes e o Estado israelense agiram com a intenção específica de destruir, no todo ou em parte, um grupo nacional e étnico, imputando também responsabilidade por incitação ao genocídio. A investigação detalhou que o cerco prolongado, a fome infligida e a destruição de infraestruturas vitais, como hospitais, redes de água e terras agrícolas, integraram um padrão deliberado para inviabilizar a vida no local, além de promover o deslocamento forçado da população.

Ao encerrar seu mandato, Pillay lamentou a insuficiência do sistema internacional e declarou que o sistema multilateral do pós-Segunda Guerra Mundial falhou em prevenir o genocídio. Outras investigações conduzidas por especialistas independentes e comissários da ONU, como a da relatora especial para territórios palestinos ocupados Francesca Albanese, chegaram a conclusões semelhantes.

A reação de Israel e a defesa do governo

O governo de Israel rejeitou veementemente as conclusões da comissão. Em comunicado oficial, o Ministério das Relações Exteriores israelense classificou o relatório como verborragia difamatória e narrativa maliciosa destinada a deslegitimar e demonizar o Estado. Tel-Aviv acusou o comitê de atuar em guerra jurídica e de basear suas conclusões em falsidades atribuídas ao Hamas, ignorando as atrocidades cometidas por combatentes palestinos.

A contraofensiva diplomática teve um de seus momentos mais marcantes no plenário da ONU, quando o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu classificou as acusações de genocídio como a maior mentira do século. Diante de diplomatas que deixaram o recinto em sinal de protesto, o premiê chamou os críticos de covardes morais e argumentou que o país atua em legítima defesa contra o Hamas.

Enquanto a comissão liderada por Pillay instou a comunidade global a suspender o envio de armas e a acionar a jurisdição universal, o governo israelense sustenta que emprega recursos para minimizar danos aos civis durante o conflito.

Fonte: https://veja.abril.com.br/mundo/ganhadora-do-nobel-da-paz-denuncia-genocidio-em-gaza-e-virou-alvo-de-israel/

Compartilhar