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Economia

Geopolítica amplia pressão comercial no agro e exige estratégia do Brasil

Especialistas reunidos no GAFFFF em São Paulo debatem o impacto de novas exigências sanitárias e ambientais, defendendo estratégia coordenada do Brasil.

Redação•01 de out. de 2026, 18:23
Geopolítica amplia pressão comercial no agro e exige estratégia do Brasil
Imagem: site

Geopolítica amplia pressão comercial no agro e exige estratégia do Brasil

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As mudanças na geopolítica mundial, somadas ao crescimento das exigências sanitárias, ambientais e de rastreabilidade, estão transformando o comércio internacional de alimentos. Especialistas reunidos nesta quinta-feira em São Paulo, durante o GAFFFF (Global Agribusiness Forum), discutiram a regulação do setor e destacaram que o Brasil precisa adotar uma atuação mais coordenada para defender mercados e expandir sua presença internacional.

Manoel Mário de Souza Barros, presidente da Academia Latino-Americana do Agro (Alagro), apontou que a utilização de regras sanitárias reflete uma transformação profunda nas relações comerciais globais. Para ele, o cenário gera preocupação entre nações produtoras e exportadoras, que necessitam se adequar para não perder espaço. O executivo destacou que sistemas de monitoramento na cadeia de proteína animal ganham relevância, embora possam elevar custos para produtores e companhias, defendendo o fortalecimento da capacidade brasileira de negociação contra barreiras regulatórias.

Exportações e geopolítica

Ricardo Santin, presidente da ABPA, avalia que o setor de proteína animal vive um momento de transição e que o país deve empregar sua força produtiva e exportadora como instrumento de política comercial e geopolítica. Santin pontuou que crises internacionais, como o conflito no Oriente Médio, demonstraram o papel do Brasil como fornecedor global confiável de alimentos, mantendo embarques para diversos países, inclusive aqueles envolvidos em combates, o que amplia a relevância do país nas mesas de negociação. O dirigente também frisou que pressões por sustentabilidade, produtividade e competitividade elevam a exigência sobre os produtores.

Desafios com a União Europeia

Laura Antoniazzi, especialista em Agricultura e Sustentabilidade da Agroicone, comentou que as novas normativas comerciais e ambientais criadas pela União Europeia exigem adaptação simultânea do Brasil para mitigar vulnerabilidades perante grandes blocos econômicos. O café foi citado como exemplo: parte expressiva das vendas externas vai para o bloco europeu, exigindo mecanismos para atestar a origem e as condições produtivas. Setores como o de eucalipto também lidam com apreensões em torno de detalhes técnicos e exigências internacionais.

A especialista alertou para o risco de que os padrões e a comprovação de origem fiquem sob o controle de compradores internacionais, elevando a vulnerabilidade brasileira. Além disso, ponderou sobre o impacto financeiro: “Isso vai gerar custos. A questão é como dividir e quem vai pagar por eles de uma forma mais justa”, afirmou, pontuando que vários segmentos já se articulam para provar que a produção está livre de desmatamento.

Diplomacia do agro

Para enfrentar o cenário, Laura defendeu maior integração entre o governo e a iniciativa privada por meio da chamada diplomacia do agro, unindo negociação comercial, esforço institucional e divulgação das características produtivas brasileiras no exterior. O debate evidenciou que a concorrência agrícola ultrapassa preços e volumes, incorporando exigências ambientais, rastreabilidade e fatores geopolíticos que afetam diretamente o acesso aos mercados consumidores.

Fonte: https://www.cnnbrasil.com.br/agro/geopolitica-amplia-pressao-comercial-no-agro-e-requer-estrategia-do-brasil/

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