O Brasil passou as últimas décadas focado em criar travas e mecanismos rígidos para proteger o dinheiro público da corrupção. De acordo com o artigo assinado por Welles Matias de Abreu, pós-doutor em Administração Pública e Governo pela FGV-EAESP, doutor e mestre em administração pela UnB, analista de planejamento e orçamento da Secretaria de Orçamento Federal (SOF) e professor de pós-graduação do IBMEC, esse passo histórico e necessário cobra hoje o seu preço, pois o medo de errar acabou engessando a máquina pública.
Publicado em colaboração com o Instituto Não Aceito Corrupção (INAC) com VEJA Publicidade, o texto aponta que o próximo salto de maturidade do país exige virar essa chave, transformando a governança em um motor de eficiência estatal em vez de mantê-la apenas como uma âncora contra desvios. Na fase inicial, o país priorizou auditorias rigorosas e manuais de conformidade (compliance). Contudo, o desafio atual é desenvolver sistemas inteligentes e processos institucionais transparentes e automatizados.
Para solucionar a corrupção e promover o desenvolvimento, especialistas apontam que o Estado precisa equilibrar quatro habilidades fundamentais:
- Direção: saber para onde ir por meio de planos de longo prazo e políticas de Estado que transcendem governos, estabelecendo metas claras.
- Coordenação: capacidade de integrar ministérios, estados e prefeituras para executar políticas públicas de forma harmônica com otimização de recursos.
- Colaboração: talento do governo para atuar em parceria com a sociedade civil, academia e setor privado em soluções conjuntas.
- Integridade: base estrutural que garante o uso ético do dinheiro público, combatendo fraudes e promovendo a transparência ativa.
O texto destaca que o grande salto de qualidade ocorrerá quando a Integridade for interligada aos outros três pilares, formando a chamada Tríade da Integridade. Nesse cenário, órgãos como a Controladoria Geral da União (CGU) e o Tribunal de Contas da União (TCU) assumem papéis estratégicos, atuando não apenas na fiscalização, mas como parceiros do desenvolvimento. O uso de tecnologias como inteligência artificial e análise de dados (big data) também permite monitorar riscos em tempo real.
A experiência internacional citada no artigo demonstra como diferentes nações combinam integridade e entrega governamental:
- Coreia do Sul: foco no pilar da Direção, com centros de estratégia que mapeiam desafios e integram dados federais.
- Canadá: destaque na Colaboração, com um sistema descentralizado que dilui riscos de forma transparente.
- Holanda e Noruega: foco na Transparência Ativa por meio de sistemas totalmente abertos baseados em dados.
- Portugal: modelo em transição que digitalizou o governo e modernizou leis, unindo fiscalização rigorosa e agilidade.
