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Governo anuncia proibição das bets no Brasil e estudo aponta bilhões retirados de famílias

Governo anuncia proibição de bets e envio de projeto de lei ao Congresso, enquanto estudo aponta impactos bilionários no orçamento familiar contestados pelo setor.

Redação•26 de set. de 2026, 10:01
Governo anuncia proibição das bets no Brasil e estudo aponta bilhões retirados de famílias
Imagem: site

Governo anuncia proibição das bets no Brasil e estudo aponta bilhões retirados de famílias

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O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou nesta sexta-feira (25), em São Paulo, a proibição das plataformas de apostas e jogos virtuais online no país. O chefe do Executivo deve enviar ao Congresso Nacional um projeto de lei para estabelecer penas a quem explorar, operar ou divulgar as bets.

O anúncio ocorre em meio a debates sobre o impacto financeiro das plataformas. Dados divulgados em agosto pelo Comitê Nacional de Secretários de Fazenda dos Estados e do Distrito Federal (Comsefaz) estimaram que as apostas retiraram R$ 62,5 bilhões do orçamento das famílias brasileiras em 2025, o equivalente a cerca de 0,68% da renda disponível.

O levantamento, que compõe a terceira edição do Boletim Fiscal dos Estados Brasileiros, foi elaborado em parceria com o Centro Internacional Celso Furtado de Políticas para o Desenvolvimento (Cicef), utilizando informações do Banco Central, das Estatísticas de Pagamentos por Atividade Econômica (Epae) e análises próprias.

Saída líquida e impacto econômico

A pesquisa define como "saída líquida" a diferença entre os valores depositados pelos apostadores e os prêmios recebidos de volta, indicando o saldo que deixou o bolso dos jogadores. Entre outubro de 2024 e março de 2026, a saída líquida média foi calculada em R$ 4,7 bilhões por mês.

Segundo o estudo, o avanço das bets gera riscos adicionais para o orçamento familiar, que já enfrenta juros altos e dificuldades financeiras, além de possuir baixo efeito multiplicador na economia quando comparado a gastos com bens e serviços tradicionais.

O Pix foi apontado como o principal meio de transferência para as plataformas. A expansão das bets teria adicionado, em média, R$ 24,1 bilhões mensais ao volume de transações entre outubro de 2024 e março de 2026, totalizando R$ 350,97 bilhões adicionais em 2025. O levantamento também destacou a participação relevante de famílias de menor renda no setor.

Posicionamento do setor de apostas

A Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL), que representa o setor, contestou os dados divulgados pelo Comsefaz. Em nota, a entidade classificou o levantamento como portador de "erros graves" na linha temporal e afirmou que o estudo ignorou fatores macroeconômicos que impulsionaram o uso do Pix em diversos segmentos.

A ANJL citou dados da Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda (SPA-MF) indicando que a receita bruta do setor foi de R$ 37 bilhões em 2025. A associação argumenta que o estudo englobou transferências para quatro segmentos — artes, cultura, esportes e recreação —, além de incluir contas de empresas ilegais em um período em que milhares de sites irregulares foram bloqueados.

Declarações do presidente

Na última quarta-feira (23), o presidente Lula manifestou intenção de acabar com as apostas on-line, apontando preocupação com a influência dos algoritmos sobre os jovens. "A minha preocupação é que hoje tem uma parte da juventude atrelada aos algoritmos. E se a gente não fizer essa luta, os algoritmos vão ganhar. Eu não tenho nenhum problema em dizer. Eu terei o imenso prazer de acabar com as bets", declarou.

Fonte: https://g1.globo.com/economia/noticia/2026/09/25/quanto-os-brasileiros-deixam-nas-bets.ghtml

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