O ministro da Fazenda, Dario Durigan, declarou nesta sexta-feira (16) que o governo estuda a possibilidade de disponibilizar crédito para companhias que venham a ser prejudicadas pelo término da escala de trabalho 6x1. A medida foi promulgada pelo Congresso no mesmo dia, na sequência de forte pressão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Em entrevista concedida à emissora de televisão Bandeirantes, Durigan pontuou que há viabilidade para estruturar iniciativas de apoio financeiro. “É possível que a gente faça, por exemplo, uma espécie de linha de crédito”, afirmou o ministro. Ele acrescentou que a gestão federal já planeja contar com opções de financiamento voltadas especificamente para o período de transição, englobando tanto os impactos da reforma tributária quanto da alteração na jornada laboral.
A aprovação célere da proposta por deputados e senadores enfrenta severas críticas de representantes do setor produtivo. O argumento central dos críticos é o risco de elevação nos custos operacionais, que acabariam sendo repassados ao consumidor final.
Projeções divulgadas pelo Banco Inter indicam que a diminuição da carga horária semanal de 44 para 40 horas — base da determinação aprovada pelos parlamentares — tem potencial para reduzir a produtividade econômica geral em 0,47%. No entanto, o impacto tende a ser mais acentuado em ramos específicos: o segmento de serviços de vigilância pode enfrentar uma alta de 5,5% nos custos, enquanto o setor de saúde projeta um acréscimo de 2%.
Durante a entrevista à Band, Durigan não especificou o formato exato das compensações destinadas a esses ramos produtivos. Contudo, o titular da Fazenda buscou abrandar os efeitos da mudança para o empresariado, classificando os reflexos como um “ônus minoritário” restrito a “alguns empresários”.
