O governo da Argentina iniciou uma nova estratégia voltada para a administração pública com o lançamento de um plano de demissão voluntária. A medida, anunciada nesta segunda-feira (19), tem como meta a eliminação de 20 mil cargos públicos. Com essa nova iniciativa, o número se soma aos 77 mil postos de trabalho no setor estatal cortados desde o início do mandato do presidente Javier Milei, em 2023.
De acordo com as regras estabelecidas, o plano prevê diferentes programas de pagamento, com valores definidos conforme a idade e o tempo de serviço prestado pelos empregados. Além disso, a proposta determina que o trabalhador que aderir ao programa fique impedido de retornar à administração pública pelo período de oito anos.
A medida foi oficializada por meio de um comunicado publicado no Diário Oficial argentino, com entrada em vigor programada para o dia 1º de novembro. A justificativa oficial aponta que o plano busca garantir uma alocação adequada e eficiente dos recursos públicos.
Repercussão e corte de gastos
A iniciativa gerou forte oposição por parte de entidades sindicais. A Associação de Trabalhadores do Estado (ATE) posicionou-se de maneira totalmente contrária ao plano. O secretário-geral da organização, Rodolfo Aguiar, utilizou as redes sociais para afirmar que os desligamentos não ocorrem de forma voluntária, classificando a ação como uma demissão extorsiva. A associação também organizou uma manifestação para protestar contra a medida.
Por outro lado, o ministro de Desregulação e Transformação do Estado, Federico Sturzenegger, defendeu a ação em uma postagem na rede social X (antigo Twitter). Segundo o ministro, a gestão argentina segue em busca de alternativas para diminuir o gasto público, o que possibilitaria a posterior redução de impostos.
Dados divulgados pela pasta indicam que o funcionalismo público sofreu reduções significativas desde a posse de Milei em 2023, com a eliminação de 21% das vagas estatais, o equivalente a 77.500 empregos a menos. No setor privado formal, a pasta apontou o corte de 270.000 postos de trabalho no mesmo intervalo, embora a abertura de 400 mil novas vagas tenha sido registrada no período, englobando trabalhadores autônomos e informais.
Cenário do mercado de trabalho
O Instituto Nacional de Estatística e Censos da Argentina (Indec) divulgou dados que apontam taxa de desemprego de 7,8% no primeiro trimestre de 2026, frente aos 7,5% apurados no trimestre anterior. No mesmo período, a taxa de emprego alcançou 44,8% da população, enquanto a participação no mercado de trabalho registrou 48,6%.
Em termos absolutos, o levantamento oficial nos 31 grandes centros urbanos indicou cerca de 1,1 milhão de pessoas desempregadas. Outros 2,3 milhões de indivíduos possuíam ocupação, mas buscavam um trabalho adicional. Na comparação anual com o primeiro trimestre de 2025, o desemprego recuou de maneira sutil, passando de 7,9% para 7,8%.
A mudança mais expressiva ocorreu na qualidade das ocupações. Pesquisa elaborada pelo Instituto Interdisciplinar de Economia Política da Universidade de Buenos Aires e do Conicet revelou que a informalidade atingiu 44,2% dos trabalhadores ocupados no primeiro trimestre de 2026, superando os 42% registrados um ano antes. O cenário indica que cerca de quatro em cada dez trabalhadores estão sem proteção formal trabalhista, tributária ou previdenciária, recorrendo a atividades autônomas e serviços ocasionais como alternativa diante da perda de vagas registradas.
