O governo do presidente argentino Javier Milei classificou como "oportunismo" a decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), de emitir um mandado de prisão contra o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro.
Em declaração concedida em coletiva de imprensa na terça-feira (13), o porta-voz da Casa Rosada, Adrián Ravier, questionou a atuação da Justiça brasileira em relação ao caso, apontando o momento da decisão como uma questão de oportunismo que acabou de surgir. A manifestação ocorreu após questionamentos sobre uma possível foto política entre o presidente argentino e Eduardo Bolsonaro durante o evento Hispanic Heritage Gala, programado para ocorrer em Washington com a presença de ambos.
Apesar das críticas e das declarações prévias de Milei sobre as eleições no Brasil e sobre o ministro Alexandre de Moraes, o porta-voz afirmou que a administração argentina não emitirá opiniões sobre assuntos internos e sobre a Justiça de outro país. Ravier também reforçou o apoio explícito de Javier Milei a Bolsonaro, manifestando otimismo em relação ao segundo turno e à possibilidade de o Brasil adotar ideias voltadas à liberdade econômica.
De acordo com informações obtidas pela CNN Brasil junto a uma fonte da Casa Rosada, a expectativa é de que ocorra um encontro entre Milei e Eduardo Bolsonaro durante a passagem do presidente argentino pela capital norte-americana. Eduardo Bolsonaro reside nos Estados Unidos desde o início do ano passado, atuando como interlocutor entre sua família e autoridades norte-americanas, e tem participação prevista no mesmo evento de gala nesta quarta-feira (14), discursando após o líder argentino.
Na semana passada, o ministro Alexandre de Moraes determinou o início do cumprimento da pena de Eduardo Bolsonaro, fixada em 4 anos e 2 meses de prisão em regime inicial semiaberto pelo crime de coação. Segundo o STF, o ex-deputado utilizou sua influência internacional para tentar interferir no processo que resultou na condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro. O magistrado também solicitou o cancelamento do passaporte do ex-parlamentar.
A proximidade entre o governo argentino e a família Bolsonaro ocorre em um cenário de forte crise diplomática entre as gestões do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e de Javier Milei, motivada por críticas do mandatário argentino ao petista, o que levou o Brasil a reduzir o nível das relações diplomáticas com a Argentina.
