O governo dos Estados Unidos intensificou formalmente a cobrança por esclarecimentos à Rússia em meio a dificuldades para obter respostas sobre a morte de uma funcionária de laboratório em um instituto dedicado ao estudo da peste na Sibéria. A técnica trabalhava no Instituto de Pesquisa Antipeste de Irkutsk, e o caso gerou preocupação em Washington, motivando esforços de inteligência e planejamento de saúde pública.
De acordo com uma fonte, os EUA emitiram uma comunicação diplomática formal, conhecida como démarche, na noite de terça-feira (6). Um porta-voz do Departamento de Estado declarou que foram solicitadas informações adicionais de forma oficial ao governo russo e que há comunicação com outros países para compartilhamento de dados.
O secretário de Estado americano, Marco Rubio, afirmou que cabe à Rússia compartilhar mais dados com o mundo e pontuou que seria imprudente especular diante das informações limitadas disponíveis. Autoridades dos EUA mantêm contato com o governo russo desde a última sexta-feira (2), incluindo diálogos entre especialistas em saúde do departamento e o Ministério das Relações Exteriores da Rússia.
O presidente Donald Trump afirmou a jornalistas que tinha uma ligação agendada com Vladimir Putin para tratar do assunto e que as agências americanas teriam mais informações para divulgar nesta quarta-feira (7). Contudo, o Kremlin negou nesta quarta-feira que houvesse agendamento de conversa entre os líderes sobre o alerta de peste.
Falta de transparência e ceticismo
Até o momento, a cooperação da Rússia tem sido limitada, gerando ceticismo entre autoridades americanas sobre a transparência do Kremlin. Apesar disso, o governo dos EUA ainda não adotou medidas como restrições de viagens, além da recomendação já existente para evitar ir à Rússia devido a fatores como a guerra com a Ucrânia e o risco de detenção arbitrária.
Entre as principais dúvidas estão se a técnica de laboratório de 28 anos, que morreu na semana passada, contraiu peste pneumônica ou outra infecção desconhecida, visto que o instituto estuda doenças como cólera, antraz e brucelose. As autoridades também investigam se o patógeno sofreu modificações de ganho de função.
Rubio e outros integrantes da administração minimizaram publicamente a ameaça imediata, lembrando que a peste pneumônica é tratável com antibióticos. Nos bastidores, contudo, há inquitação devido à escassez de dados claros e à resposta russa que incluiu quarentena no hospital onde a funcionária foi tratada e cerca de 200 pessoas sob observação, segundo o prefeito do distrito de Shelekhovsky e a imprensa regional.
Na segunda-feira, Trump classificou a situação como um grande problema para a Rússia e sugeriu a possibilidade de ajuda americana. O Departamento de Estado informou que agências como os Centros de Controle e Prevenção de Doenças e a Administração de Preparação e Resposta Estratégica monitoram o caso, além de contatos de bastidores mantidos com a Organização Mundial da Saúde (OMS).
