O governo dos Estados Unidos solicitou à gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva que revise a negociação dos ativos de níquel da Anglo American no Brasil para a companhia chinesa MMG. A demanda estava presente em uma proposta enviada a Brasília por Jamieson Greer, chefe do Escritório de Representação Comercial da Casa Branca (USTR), no dia 9 de janeiro de 2026. A informação foi veiculada inicialmente pelo jornal "O Estado de S. Paulo" e confirmada pela CNN.
Em caráter reservado, integrantes do Itamaraty relataram que Greer teria feito insistência para que houvesse um veto à aquisição de jazidas de minerais críticos e terras raras por parte de economias de mercado não tradicional, fazendo menção indireta à China. Conforme as mesmas fontes, a solicitação foi prontamente recusada pelas autoridades do Brasil, que pontuaram a vigência de normas e critérios equivalentes para qualquer capital estrangeiro.
A transação comercial para repassar as operações de níquel da multinacional de origem britânica Anglo American para a MMG, avaliada em US$ 500 milhões, veio a público em fevereiro de 2025 e tem gerado repercussão internacional em meio ao aumento de atritos geopolíticos. O acordo compreende unidades produtivas localizadas no estado de Goiás, especificamente em Barro Alto e Codemin (situada em Niquelândia), além de duas iniciativas voltadas ao desenvolvimento futuro: Morro Sem Boné, em Mato Grosso, e Jacaré, no Pará.
Antes do acerto com a empresa chinesa, a Anglo American recebeu uma oferta de compra oriunda da CoreX, da Turquia, nação integrante da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) e aliada dos EUA e da Europa. O níquel figura entre os minerais críticos tidos como mais fundamentais para a transição energética, encontrando aplicação na fabricação de baterias e de aço inoxidável.
No âmbito internacional, a Comissão Europeia — braço executivo da União Europeia — iniciou uma investigação sobre a operação em novembro do ano anterior. O departamento antitruste do bloco europeu avalia a possibilidade de a venda direcionar a produção nacional de níquel para mercados externos distintos, gerando reflexos na cotação e nos padrões do aço na Europa.
A turca CoreX chegou a formalizar uma representação junto ao Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica), que deu início a uma apuração prévia sobre o tema, mas posteriormente encerrou o procedimento por determinação da Superintendência-Geral. Questionada pela CNN, a Anglo American optou por não emitir declarações.
Fonte: https://www.cnnbrasil.com.br/infra/eua-pressionaram-brasil-contra-venda-de-minas-de-niquel-a-china/
