O governo federal anunciou medidas adicionais para intensificar o combate aos incêndios florestais no Amazonas. As ações contemplam o envio de cinco novas aeronaves, o incremento das forças de segurança, a integração das Forças Armadas e a criação de uma base descentralizada da Força Nacional do Sistema Único de Saúde (SUS) na cidade de Manaus.
Autoridades federais participaram de uma agenda com representantes estaduais na capital amazonense. A comitiva incluiu ministros de pastas federais e o presidente do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Jair Schmitt. Entre os ministros presentes estavam João Paulo Capobianco, do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA); Wellington César Lima e Silva, da Justiça e Segurança Pública; José Múcio Monteiro, da Defesa; e Waldez Góes, da Integração e do Desenvolvimento Regional.
Ampliação de aeronaves e balanço das operações
Com a inclusão de cinco aeronaves extras, a frota destinada às operações no estado subiu de 11 para 16 unidades. Entre os reforços está um segundo avião KC-390, com capacidade de lançamento de até 19 mil litros de água por viagem, que se une a outra unidade já empregada que comporta até 12 mil litros. O planejamento também abrange helicópteros voltados para o lançamento de água, movimentação de equipes e suporte logístico em áreas de difícil acesso.
Desde o começo das operações de apoio federal, em 9 de outubro, foram despejados cerca de 600 mil litros de água ao longo de 260 horas de voo. O Ibama registrou 317 incêndios extintos desde o início da temporada de queimadas.
Atuação das forças de segurança e repasses
A estratégia do governo federal prevê a convocação de efetivos da Polícia Federal (PF) e da Polícia Rodoviária Federal (PRF). A PRF foi designada para atuar na fiscalização de vias secundárias e no auxílio às diligências do Ibama. O Ministério da Defesa também mobilizou membros das Forças Armadas para prestar suporte aéreo, logístico e de pessoal.
Adicionalmente, a Defesa Civil Nacional destinou R$ 14 milhões para ações de assistência humanitária, compra de equipamentos de proteção individual, combate a focos de fogo e a contratação de duas aeronaves extras.
Qualidade do ar e impacto na saúde pública
As novas determinações ocorrem enquanto a fumaça das queimadas compromete a atmosfera na capital amazonense. O índice de concentração de partículas finas atingiu marcas elevadas, sendo classificado como muito ruim e perigoso por plataformas de monitoramento. Nos primeiros 17 dias do mês de outubro, o estado contabilizou 1.892 focos de incêndio, conforme o Painel do Fogo do Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam).
Como medida preventiva, o governo federal programou a instalação de uma base descentralizada da Força Nacional do SUS em Manaus para mitigar os impactos da fumaça na população. Dados da Secretaria Municipal de Saúde de Manaus apontam que os atendimentos médicos voltados a doenças respiratórias cresceram 10,5%, passando de 4.934 registros em agosto para 5.452 em setembro.
