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Governo Lula avalia relatório dos EUA sobre PCC e CV como manobra de Trump

Governo brasileiro avalia que relatório dos EUA sobre PCC e Comando Vermelho é manobra eleitoral de Trump para evitar desgaste com sanções ao STF.

Redação•17 de set. de 2026, 17:30
Governo Lula avalia relatório dos EUA sobre PCC e CV como manobra de Trump
Imagem: site

Governo Lula avalia relatório dos EUA sobre PCC e CV como manobra de Trump

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O governo de Luiz Inácio Lula da Silva avalia que a decisão dos Estados Unidos de acusar o Brasil de falhar no combate ao PCC e ao Comando Vermelho, classificadas por Washington como organizações terroristas, representa uma jogada eleitoral calculada e de baixo custo para Donald Trump. A leitura interna aponta que a pauta de segurança pública tem maior potencial de repercussão junto ao eleitorado brasileiro do que medidas direcionadas a ministros do STF.

A avaliação no Planalto indica que o tema substitui de forma mais confortável a aplicação da Lei Magnitsky contra integrantes do Supremo. A ameaça de sanções desse tipo havia ganhado força com a divulgação de mensagens envolvendo o ministro Alexandre de Moraes, primeiro sancionado pela lei em 2025, e Daniel Vorcaro. No entanto, a possibilidade perdeu fôlego após a revelação de relações de Vorcaro com os ministros André Mendonça e Kassio Nunes Marques. Uma nova rodada de sanções focada no Judiciário brasileiro poderia ampliar o alcance da medida e facilitar a reação do governo Lula sob o argumento de interferência estrangeira e violação da soberania nacional.

O Palácio do Planalto também considera que a percepção negativa de Trump e do secretário de Estado, Marco Rubio, entre os eleitores brasileiros serviria como fator de contenção para novas tentativas de interferência, que poderiam acabar favorecendo o presidente brasileiro. Por outro lado, pesquisas divulgadas em 2026 indicam apoio relevante no país à classificação do PCC e do CV como grupos terroristas. A Genial/Quaest apontou em junho que 60% dos entrevistados defendiam que o governo brasileiro adotasse a medida, enquanto 45% concordavam com a decisão americana. O PoderData também registrou maioria favorável aos EUA, com 53% considerando a ação positiva para o Brasil.

Risco de intervenção e resposta do governo

O relatório anual enviado pela Casa Branca ao Congresso foi divulgado na terça-feira (15.set.2026) e aponta que a gestão de Lula falhou em confrontar as duas facções, apontadas como responsáveis por transformar o país em um centro para o fluxo global de cocaína. O texto cobra ações urgentes, embora o Brasil não seja classificado como produtor ou rota de drogas.

A principal preocupação nos bastidores do governo é que o tratamento do crime organizado como questão de segurança nacional americana sirva para justificar o uso de força à revelia do direito internacional, seguindo o mesmo caminho observado na intervenção na Venezuela que resultou na captura de Nicolás Maduro.

Em resposta, o Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) negou na quarta-feira (16.set) falhas ou omissões no enfrentamento ao crime organizado transnacional. A pasta argumenta que o documento desconsidera a cooperação bilateral e destacou iniciativas como a Lei Antifacção e o Programa Brasil contra o Crime Organizado. O Executivo também apontou que Lula entregou a Trump, em Washington, uma proposta de combate ao crime que nunca recebeu resposta, além de ressaltar incoerências na lista americana, como a exclusão e o elogio à Venezuela e a ausência de menções a Cuba.

Relação bilateral e ONU

Temas políticos relacionados ao Brasil perderam espaço nas conversas entre Lula e Trump desde 2025. Um documento de 21 pontos apresentado ao chanceler Mauro Vieira em Washington incluía referências a dissidentes brasileiros, mas Lula orientou que democracia e soberania ficassem fora das negociações. Parte dos pontos migrou para discussões comerciais da Seção 301, abordando temas como etanol, desmatamento ilegal e a neutralidade competitiva do Banco Central, interpretada pelo governo como uma referência ao Pix.

Até o momento, Lula e Trump mantiveram sete contatos, sendo quatro telefonemas e três encontros presenciais, incluindo uma reunião e almoço de trabalho na Casa Branca em 7 de maio de 2026, que contou com a presença do vice-presidente dos EUA, JD Vance, do ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, e do então ministro da Justiça, Wellington César Lima.

O presidente Lula embarca no domingo (20.set) para Nova York e discursa na terça-feira (22.set) na abertura do Debate Geral da Assembleia Geral da ONU, logo antes de Donald Trump. Não há pedido de reunião bilateral entre os dois mandatários, havendo expectativa apenas de um cumprimento protocolar na troca de oradores. O discurso brasileiro, com duração prevista de 20 minutos, deve abordar paz e segurança, multilateralismo, clima, direitos humanos, combate ao crime organizado e a defesa da soberania e da democracia, sem menções diretas a Trump ou aos Estados Unidos.

Fonte: https://www.poder360.com.br/poder-governo/governo-lula-ve-relatorio-sobre-cv-e-pcc-como-manobra-segura-de-trump/

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