Em entrevista recente ao Flow Podcast, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) declarou que avalia proibir os bancos de emitirem mais de um cartão de crédito por pessoa. O chefe do Executivo criticou duramente as taxas cobradas no crédito rotativo, classificando o cenário como um "crime", e mencionou que discute com o Banco Central formas de limitar a quantidade de cartões por cidadão.
No entanto, segundo a analista de Economia da CNN, Lucinda Pinto, a declaração apresenta imprecisões relevantes. Durante participação no programa CNN Prime Time, a especialista explicou que o governo federal não possui competência para tomar tal decisão de maneira unilateral. O poder de criar regras e leis sobre o tema caberia ao próprio Banco Central ou ao Conselho Monetário Nacional (CMN).
A analista também destacou que o verdadeiro problema do endividamento da população reside no limite total de crédito disponível, e não na quantidade de cartões que um indivíduo possui. De acordo com ela, pouco importa se a relação de crédito é mantida com um ou múltiplos bancos, pois o fator determinante é o montante liberado.
Para Lucinda Pinto, o sistema financeiro já conta com estruturas voltadas a avaliar a exposição ao crédito. A instituição financeira aplica regras próprias para definir o limite adequado ao conceder o produto, além de contar com o auxílio do Open Finance, mecanismo que amplia o acesso aos dados financeiros dos clientes mediante autorização.
A especialista ainda contestou a afirmação de que a dívida no cartão de crédito cresce indefinidamente devido aos juros elevados, lembrando a existência de uma lei que limita o crescimento do débito a até 100% do valor inicialmente tomado. Como alternativas para o problema, a analista defende o aprimoramento da estrutura atual, o incentivo à adesão ao Open Finance e investimentos contínuos em educação financeira.
