O Palácio do Planalto decidiu concentrar todas as suas energias políticas na aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que encerra a escala de trabalho 6x1, colocando temporariamente em segundo plano a PEC da Segurança Pública nas articulações de plenário no Senado Federal. A estratégia foi detalhada pela analista de Política da CNN, Isabel Mega, durante o programa Live CNN.
Segundo a analista, embora o governo evite o termo "bala de prata", é exatamente nesse papel que a PEC do fim da jornada 6x1 se encaixa nas articulações do Planalto. O governo concentrou energias na pauta, mobilizando tanto a equipe do Palácio do Planalto quanto o time da campanha na articulação no Congresso Nacional.
Trunfo político e pressão sobre a oposição
A aprovação da medida é vista como um importante trunfo político devido ao forte apelo popular entre os trabalhadores. Isabel Mega apontou que a PEC coloca Flávio Bolsonaro em uma posição delicada, questionando como ele se posicionará sobre uma proposta abraçada pelo governo de Luiz Inácio Lula da Silva sem correr o risco de perder votos de parcelas da população que se identificam com a pauta, classificando a situação como uma "sinuca de bico" para o bolsonarismo.
Em contrapartida, a PEC da Segurança Pública — que ainda precisa terminar de ser votada na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado — foi colocada em "stand-by". Contudo, alguns aliados no Senado avaliam ser viável avançar com as duas propostas simultaneamente. A aprovação da PEC da Segurança havia sido apontada anteriormente como condicionante para a recriação do Ministério da Segurança.
Papel de Davi Alcolumbre e expectativa governista
A expectativa otimista do governo é viabilizar a aprovação da PEC 6x1 já na próxima semana. Nesse cenário, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), surge como figura central. Conforme a análise de Isabel Mega, Alcolumbre encontra-se enfraquecido após o resultado do primeiro turno, que ampliou a bancada do Partido Liberal no Senado para 2027, colocando em xeque seus planos de manter a presidência da Casa na eleição de fevereiro do ano seguinte. A analista avalia que Alcolumbre fará de tudo para assegurar a reeleição do presidente Lula, o que passa por entregar a votação e aprovação da PEC do fim da jornada 6x1.
Posicionamento de Damares Alves e resistência da oposição
Um elemento que animou a base governista foi a postura da senadora Damares Alves (Republicanos-DF), ligada ao campo bolsonarista, que declarou apoio ao fim da escala 6x1. Segundo a analista, Damares afirmou que todos querem o melhor para o trabalhador, criticou a atuação do PT classificando-a como ridícula, mas reiterou ser a favor do fim da escala 6x1. A analista lembrou que não é a primeira vez que a senadora diverge do posicionamento generalista do bolsonarismo, citando debates anteriores sobre a regulação de redes sociais.
Do outro lado, a oposição tenta atrasar o debate e empurrar a votação para o período posterior ao segundo turno, argumentando que a proposta tem caráter puramente eleitoral. Entre as táticas previstas estão a apresentação de destaques e emendas, a exemplo de uma sugestão para retirar o período de transição. Caso isso ocorra, o texto precisará retornar à Câmara dos Deputados, onde seriam necessários ao menos 308 votos favoráveis, um caminho considerado mais tortuoso.
Além da resistência parlamentar, o setor empresarial exerce forte pressão contrária, argumentando que a reforma pode provocar o fechamento de vagas de emprego e gerar dificuldades de acomodação em diversos setores da economia.
Fonte: https://www.cnnbrasil.com.br/politica/governo-deixa-pec-da-seguranca-de-lado-e-prioriza-6x1/
