NewsHub
Política

Governo quer expor aliados de Flávio Bolsonaro no debate do fim da escala 6x1

Governo planeja expor aliados de Flávio Bolsonaro contrários ao fim da escala 6x1 no Senado; oposição adota estratégia de obstrução.

Redação•06 de out. de 2026, 19:42
Governo quer expor aliados de Flávio Bolsonaro no debate do fim da escala 6x1
Imagem: site

Governo quer expor aliados de Flávio Bolsonaro no debate do fim da escala 6x1

Ouça esta matéria em voz alta

No dia em que a proposta de emenda à Constituição (PEC) sobre o fim da escala 6x1 começou a ser debatida no Senado, nesta terça-feira (6), governistas planejam utilizar a discussão para evidenciar a posição de aliados do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Os parlamentares da base de apoio ao governo já sinalizaram ser contrários à medida.

O ministro das Relações Institucionais, José Guimarães, declarou após reunir-se com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP): "Eu quero ver a turma do Flávio Bolsonaro votar contra. Eu estou pagando pra ver, pra ver essa atitude que eles puderem tomar".

O senador e ex-líder governista Jaques Wagner (PT-BA) afirmou ao chegar ao Senado que existe um acordo por parte do governo para a votação, mas destacou que é preciso "saber do candidato a presidente Flávio". Por sua vez, a líder do governo no Senado, Teresa Leitão (PT-PE), admitiu que o cenário é desafiador e declarou sobre a votação: "Vamos tentar".

Senadores aliados ao candidato do PL tentam impedir que a PEC seja votada, priorizando uma proposta alternativa defendida por Flávio Bolsonaro. Jaques Wagner criticou a postura da oposição: "Eu estou vindo ao plenário porque, pelo que eu percebo, o pessoal da oposição, ou seja, os torcedores do candidato Flávio Bolsonaro, não estão dando presença na tentativa de inviabilizar o debate do fim do trabalho aos sábados. O candidato terá que mostrar a cara e dizer que é contra".

Em setembro, quando a PEC tramitou pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, aliados de Flávio Bolsonaro, como o coordenador de campanha Rogério Marinho (PL-RN), posicionaram-se de forma contrária à medida. Integrantes do governo apontam que a proposta foi barrada pela oposição na Casa, discurso reforçado pelo presidente Lula durante a campanha.

Nesta terça-feira, o Senado iniciou a primeira de cinco sessões de discussão necessárias para a votação de uma PEC. José Guimarães afirmou que Davi Alcolumbre se comprometeu a votar a proposta antes do segundo turno e que a expectativa é de que o próprio Alcolumbre presida a sessão. A PEC é tratada como uma prioridade na campanha de Lula.

No entanto, existem dúvidas sobre a existência de vontade política para a aprovação, visto que, após as eleições parlamentares, a pressão das urnas diminui e o resultado do pleito indicou uma direita mais fortalecida no Senado. Nos bastidores, avalia-se que a reeleição de Lula seria uma aposta favorável para Alcolumbre, cuja relação com senadores da direita sofreu desgastes e críticas abertas devido à crise com o Supremo Tribunal Federal (STF).

Por outro lado, parlamentares da oposição rotulam a PEC como "medida eleitoreira" e articulam para evitar sua votação. A estratégia inicial consistiu em obstruir a sessão desta terça-feira para não atingir o quórum necessário. A abertura ocorreu com 47 senadores presentes, sem nenhum representante do PL inicialmente, embora o senador Efraim Filho (PL-PB) tenha registrado presença posteriormente. A oposição avalia dosar as críticas devido à popularidade da proposta, planejando novas reuniões para definir os próximos passos.

Questionado sobre a PEC do governo, Flávio Bolsonaro reiterou o apoio à alternativa apresentada por Rogério Marinho, cujo texto prevê a possibilidade de redução da jornada de trabalho mediante acordo com o empregador e redução proporcional do salário. "Eu tenho uma proposta infinitamente melhor que é dar liberdade para o trabalhador negociar sua carga horária. Vamos dar essa liberdade para que o trabalhador monte a sua jornada conforme as suas possibilidades", afirmou Flávio Bolsonaro.

Fonte: https://g1.globo.com/politica/eleicoes/2026/noticia/2026/10/06/fim-da-escala-6x1-governo-quer-expor-posicionamento-de-aliados-de-flavio-e-oposicao-planeja-estrategia.ghtml

Compartilhar