A administração do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, já revogou mais de 300 mil vistos americanos durante seu atual mandato. A informação foi divulgada pelo Departamento de Estado nesta terça-feira (20), indicando uma aceleração significativa no ritmo dessas medidas nas últimas semanas.
Em balanço anterior divulgado em 10 de agosto, o próprio Departamento de Estado havia apontado que o total de documentos cancelados desde o início da gestão, em janeiro de 2025, superava a marca de 175 mil.
De acordo com o porta-voz do órgão, Tommy Pigott, que anunciou o novo dado por meio da rede social X, a atual administração estadunidense já realizou mais cassações de documentos e em um ritmo mais rápido do que qualquer outra gestão na história do país. Pigott destacou que o governo aplica uma política de tolerância zero contra estrangeiros portadores de vistos que violem a legislação, pratiquem fraudes ou representem riscos à segurança nacional.
A ofensiva migratória e as ações voltadas para deportações são justificadas pelo presidente Donald Trump como iniciativas essenciais para o aprimoramento da segurança interna dos Estados Unidos.
Críticas e repercussão das medidas
Por outro lado, organizações de defesa dos direitos humanos expressaram forte oposição às diretrizes adotadas. Críticos argumentam que as ações ferem a liberdade de expressão e o devido processo legal, além de fomentarem um clima de insegurança, com forte preocupação por parte de minorias étnicas em relação a práticas de perfilamento racial.
Entre os casos que geraram maior contestação estão os cancelamentos de vistos de manifestantes estrangeiros pró-Palestina — que protestavam contra os ataques de Israel, aliado norte-americano, na região de Gaza — e de estrangeiros que publicaram manifestações em plataformas de redes sociais referentes ao assassinato do comentarista conservador Charlie Kirk.
Além das investidas contra manifestantes, a gestão Trump ampliou o monitoramento das redes sociais de imigrantes e solicitantes de vistos. Entidades de direitos humanos apontam que o argumento da segurança nacional tem sido empregado para penalizar críticos, utilizando episódios específicos de fraude para afetar amplamente comunidades imigrantes, a exemplo da comunidade somali-americana localizada em Minnesota.
Apesar da forte campanha eleitoral em 2024 ter tido como foco principal o combate à imigração irregular, o governo também tem imposto barreiras à imigração legal, aplicando taxas elevadas para a emissão de categorias específicas de vistos de trabalho.
