NewsHub
Política

Governo usa ONU e G20 para defender soberania e evitar interferência externa nas eleições

O governo federal aposta em agendas na ONU e no G20 para defender a soberania nacional e evitar interferências externas nas eleições de outubro.

Redação•20 de set. de 2026, 07:44
Governo usa ONU e G20 para defender soberania e evitar interferência externa nas eleições
Imagem: site

Governo usa ONU e G20 para defender soberania e evitar interferência externa nas eleições

Ouça esta matéria em voz alta

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva aposta nas duas últimas grandes agendas internacionais antes do pleito de outubro para defender a soberania nacional e reforçar o apelo pela não interferência estrangeira nas eleições brasileiras. O mandatário embarca neste domingo (20) para Nova York, onde fará o discurso de abertura da Assembleia Geral das Nações Unidas na terça-feira (22).

Como ocorre tradicionalmente com o Brasil desde 1955, o petista será o primeiro chefe de Estado a discursar. Na sequência, falará o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Embora não haja uma reunião bilateral agendada nem pedido formal de encontro até o momento, o Palácio do Planalto não descarta uma conversa informal na coxia do palco, durante a transição de saída de uma área reservada e a entrada para o evento.

A Abin (Agência Brasileira de Inteligência) enviou um relatório no fim de agosto ao Palácio do Planalto, ao Ministério da Justiça e ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral) elevando para “nível de criticidade” a possibilidade de influência dos Estados Unidos no pleito brasileiro. As informações foram divulgadas pelo jornal Folha de S.Paulo no sábado (19) e confirmadas pela CNN Brasil. Conforme a agência, há uma tendência de escalada e reconfiguração da pressão exercida pelos norte-americanos, citando documentos do governo Trump entre novembro de 2025 e maio de 2026 e apontando a hegemonia dos EUA na América Latina como prioridade do segundo governo Trump.

Durante sua fala na ONU, estimada entre 15 e 20 minutos, Lula deve enviar recados internos e externos, defendendo o multilateralismo, a soberania e a neutralidade nas eleições, além de rejeitar a interferência de outros governos. O pronunciamento também abordará guerras e seus impactos na economia global e nos preços de alimentos, a defesa de saídas diplomáticas para conflitos, o avanço da corrida armamentista e a disputa global por recursos naturais estratégicos. Na área ambiental, o presidente planeja citar a COP30 para apresentar o Brasil como defensor de um modelo de crescimento econômico aliado à preservação, além de tratar da regulação de plataformas digitais com menções ao ECA Digital, proteção de mulheres e crianças e aos desafios da inteligência artificial.

Além da viagem a Nova York, o chanceler brasileiro Mauro Vieira viajará novamente aos Estados Unidos para participar da reunião de ministros de Comércio do G20 em Milwaukee, entre os dias 30 de setembro e 1º de outubro, acompanhado pelo ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa. A expectativa é de que representantes do Brasil e dos EUA discutam o tarifaço, o que marcaria o primeiro encontro presencial desde a retomada dos contatos bilaterais sobre o tema, iniciada após telefonema entre Lula e Donald Trump no último dia 21, onde decidiram reabrir as conversas. O secretário Márcio Elias e Greer já haviam se reunido remotamente no último dia 31, com reuniões técnicas mantidas desde então.

As tarifas impostas pelos Estados Unidos contra o Brasil alcançam 25% com base em investigações sobre temas que vão desde o desmatamento até pagamentos digitais, além de uma taxa adicional de 12,5% sob a alegação de suposta falta de controle contra a importação de mercadorias originadas de trabalho forçado.

Fonte: https://www.cnnbrasil.com.br/politica/governo-mira-onu-e-g20-para-reforcar-apelo-de-nao-interferencia-em-eleicao/

Compartilhar