A guerra no Oriente Médio tem gerado impactos diretos sobre os custos e a disponibilidade de materiais essenciais para o setor de saneamento no Paraná. De acordo com Wilson Bley, presidente da Sanepar, a alta nos preços e a escassez de insumos já afetam as operações e podem desestimular a participação do mercado em futuras licitações da companhia.
Entre os principais reflexos do conflito está a disparada no preço do PVC, material amplamente aplicado em redes e estruturas do setor, cujo valor registrou alta superior a 100% desde o início da guerra. Além do encarecimento, Bley apontou dificuldades na aquisição de determinados materiais e destacou que a alta no preço do diesel encareceu o transporte desses insumos.
Outro produto severamente afetado foi o ácido fluorsilícico, empregado na fluoretação da água. O item enfrenta desabastecimento no mercado brasileiro, acumulando uma alta de 1.200% em seu preço desde o começo do ano. Diante desse cenário, o setor de saneamento solicitou a suspensão temporária do uso de flúor na água por um período de 90 dias, visando permitir a reestruturação do mercado do ácido. O Ministério da Saúde, contudo, mantém resistência e ainda avalia a medida.
Para lidar com a falta do insumo, a Sanepar discute procedimentos preventivos com órgãos de saúde, mantendo tratativas com o Ministério da Saúde, além da Secretaria de Saúde e da Vigilância Sanitária no Paraná, para definir eventuais interrupções temporárias na fluoretação em regiões específicas. Apesar do alerta exigido pela situação, Bley pontuou que não há risco imediato de desabastecimento generalizado, visto que a empresa dispõe de um estoque de segurança para buscar novas alternativas de fornecimento.
O presidente da Sanepar alertou que a pressão inflacionária e a escassez de suprimentos podem comprometer tanto as despesas operacionais quanto os investimentos da empresa. Em entrevista à CNN, ele questionou se futuras licitações lançadas pela companhia atrairão interesse das empresas, ponderando que os preços praticados atualmente estão em desacordo com os valores de mercado. Bley também destacou que aumentos decorrentes de choques tendem a ser rápidos e demoram a recuar, avaliando que parte dessas elevações de custos poderá se tornar estrutural para a economia.
