Em uma ilha remota no Círculo Polar Ártico, especialistas em segurança digital realizam anualmente o Jammertest, um evento que simula ataques a sistemas de navegação por satélite (GNSS), como o GPS. O objetivo é avaliar a resiliência de dispositivos que dependem desses sinais para sincronização temporal e espacial.
O evento, realizado em Andøya, Noruega, reúne engenheiros, físicos e funcionários públicos para testar como sistemas como redes elétricas, telecomunicações e mercados financeiros reagiriam a interferências maliciosas. A Noruega, entre outros países, se prepara para cenários em que o GNSS possa ser alvo de ataques estratégicos, especialmente após incidentes como a interferência em aviões da Real Força Aérea do Reino Unido em 2026.
Durante o Jammertest 2024, os participantes realizaram exercícios de jamming (saturação de sinais) e spoofing (fornecimento de dados falsos), simulando ataques que poderiam enganar drones, aviões e máquinas industriais. Um dos organizadores, Harald Hauglin, engenheiro-chefe de metrologia da Noruega, destacou que a manipulação do tempo e do espaço por meio desses ataques é uma ameaça crescente, comparável a ataques cibernéticos complexos.
O evento, aberto ao público, permite que especialistas compartilhem resultados e estratégias de defesa, incluindo sistemas alternativos como o White Rabbit, desenvolvido no CERN, que oferece sincronização com precisão de nanossegundos. No entanto, não há uma solução única, segundo Dana Goward, cofundador da Resilient Timing and Navigation Foundation, que alerta para o risco crescente de spoofing e interferências diretas do espaço.
