NewsHub
Economia

Híbridos asiáticos ganham espaço nos EUA impulsionados pela alta dos combustíveis

Com a gasolina a US$ 4 o galão, americanos buscam híbridos asiáticos diante da escassez de opções das montadoras de Detroit.

Redação•04 de out. de 2026, 06:30
Híbridos asiáticos ganham espaço nos EUA impulsionados pela alta dos combustíveis
Imagem: site

Híbridos asiáticos ganham espaço nos EUA impulsionados pela alta dos combustíveis

Ouça esta matéria em voz alta

Com o preço da gasolina atingindo a marca de US$ 4 o galão, consumidores nos Estados Unidos voltaram sua atenção para carros mais econômicos, beneficiando diretamente as montadoras asiáticas. Diante de poucas opções oferecidas pelas tradicionais fabricantes de Detroit, o mercado americano tem registrado uma migração em massa para veículos híbridos importados da Ásia.

Dados divulgados na quinta-feira (1º) revelam que a sul-coreana Hyundai teve um crescimento de 39% nas vendas de híbridos no terceiro trimestre. No caso da Kia, também da Coreia do Sul, as vendas da categoria mais do que dobraram, disparando 152%. Fabricantes japonesas acompanharam o ritmo forte: a Toyota registrou alta de 29% e a Honda avançou 21% no mesmo período.

A disparidade nos resultados reflete o portfólio das empresas. Enquanto as marcas asiáticas colhem os frutos de suas linhas híbridas, a maioria das montadoras americanas comercializa poucas opções desse tipo de veículo. Ivan Drury, diretor de insights do site de compra de carros Edmunds, pontuou que a situação reforça a importância de ter o produto certo no momento adequado. Por décadas, as três grandes empresas de Detroit — Ford, General Motors e Stellantis — priorizaram a produção de grandes SUVs e caminhonetes com margens de lucro mais elevadas, descontinuando linhas de sedãs econômicos e carros menores.

A mudança de comportamento do consumidor ocorre após os preços dos combustíveis dispararem desde o início da guerra com o Irã, no final de fevereiro. Com a média nacional superando US$ 4 por galão, a busca por eficiência energética se intensificou, enquanto as opções domésticas continuam escassas. A Ford conta apenas com uma picape híbrida de porte médio, a Maverick, e encerrou a produção do SUV híbrido Escape, cujas vendas despencaram 85% no trimestre devido à redução dos estoques nas concessionárias. A General Motors oferece apenas um modelo híbrido em versão de nicho do esportivo Corvette, e a Stellantis anunciou em janeiro a eliminação gradual de seus modelos híbridos plug-in na América do Norte. Tanto a Ford quanto a GM planejam lançar mais modelos híbridos nos próximos anos, mas a mudança de rumo exige tempo.

O forte desempenho dos híbridos quase levou as marcas sul-coreanas a superarem a Ford em vendas nos EUA pela primeira vez na história. Hyundai e Kia registraram juntas 506,2 mil veículos comercializados no terceiro trimestre, alta de 5,4% na comparação anual. A Ford, terceira maior montadora americana em volume, registrou queda de 6,6%, comercializando 509.764 unidades, segundo dados divulgados pela empresa na sexta-feira (2). Analistas costumam contabilizar Hyundai e Kia juntas devido à participação significativa da primeira na segunda.

Enquanto os híbridos ganham força por combinarem motores a gasolina e elétricos de forma acessível, as vendas de veículos puramente elétricos caíram acentuadamente no último ano. Os elétricos são mais caros e perderam fôlego após o encerramento de um crédito fiscal de US$ 7,5 mil em setembro passado. A Tesla, maior fabricante de elétricos do país, informou na sexta-feira (2) uma queda de 2% nas vendas do terceiro trimestre em relação ao ano anterior. Para Ivan Drury, o cenário demonstra que os consumidores enxergam nos híbridos uma alternativa mais conveniente e barata em comparação aos elétricos.

De acordo com dados da Cox Automotive, as montadoras asiáticas venderam mais da metade de todos os carros novos durante o trimestre, enquanto as empresas americanas registraram uma participação de mercado em patamar mínimo histórico. Charlie Chesbrough, economista sênior da Cox Automotive, avaliou que a tendência tem chances de continuar devido à oferta limitada de motores híbridos e carros de passeio pelas fabricantes de Detroit.

O cenário comercial se desenrola poucos dias depois de o governo Trump anunciar novos e menos rigorosos requisitos de eficiência de combustível para as montadoras. A medida pode poupar as empresas de Detroit de multas caso não atinjam as metas de quilometragem, mas gerou reação jurídica. Na sexta-feira, 26 estados liderados pela Califórnia processaram o governo sob a alegação de que o retrocesso nos padrões prejudica os consumidores e o planeta.

Especialistas alertam para o impacto de longo prazo dessa lacuna de mercado. Segundo Ivan Drury, o impulso perdido pelas fabricantes americanas é tremendo, ressaltando que reconquistar clientes que migraram para a concorrência representa um dos maiores desafios na indústria automobilística.

Fonte: https://www.cnnbrasil.com.br/economia/money/macroeconomia/hibridos-asiaticos-ganham-mercado-nos-eua-com-alta-dos-combustiveis/

Compartilhar