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Economia

Homem mais rico da África lança IPO histórico para expandir refinaria de petróleo na Nigéria

Aliko Dangote, homem mais rico da África, lançou o maior IPO da história do continente para expandir sua refinaria de petróleo na Nigéria.

Redação•11 de out. de 2026, 11:44
Homem mais rico da África lança IPO histórico para expandir refinaria de petróleo na Nigéria
Imagem: site

Homem mais rico da África lança IPO histórico para expandir refinaria de petróleo na Nigéria

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Aliko Dangote, reconhecido como o homem mais rico da África, iniciou a maior oferta pública inicial de ações (IPO) da história do continente africano. A operação consiste na listagem de sua refinaria de petróleo na bolsa de valores da Nigéria. Batizada pelo bilionário de 69 anos como o "IPO do Povo", a iniciativa busca permitir que os cidadãos adquiram participação em um empreendimento considerado patrimônio nacional.

De acordo com informações veiculadas pela agência Reuters, a meta é comercializar até 4,1 bilhões de ações, o que pode arrecadar 2,15 trilhões de nairas nigerianas — equivalente a US$ 1,6 bilhão. Os recursos obtidos serão direcionados para a expansão da refinaria, cuja capacidade atual de processamento já atinge cerca de 700 mil barris de petróleo bruto por dia.

No primeiro dia de comercialização dos papéis, plataformas de investimento enfrentaram instabilidades e falhas técnicas motivadas pelo excesso de demanda. A Bamboo, ferramenta de investimentos popular na Nigéria, apresentou colapso em seu sistema devido ao alto volume de acessos.

Perfil e trajetória do bilionário

Com uma fortuna estimada em mais de US$ 51,5 bilhões conforme dados da Forbes de 20 de setembro, Dangote construiu um império que domina setores como cimento, açúcar, sal e fertilizantes na Nigéria ao longo de décadas. Em 2024, as empresas do grupo representavam um terço do valor total listado na bolsa nigeriana. Nascido em uma família com forte tradição comercial — sendo seu bisavô o homem mais rico da África Ocidental em sua época —, Dangote iniciou sua trajetória empresarial no comércio de commodities após obter um empréstimo de 500 mil nairas, valor quitado em menos de seis meses.

Estratégia, substituição de importações e impactos

A estratégia empresarial de Dangote apoia-se na substituição de importações, produzindo localmente insumos que historicamente a Nigéria adquire no exterior. Embora o país seja o maior produtor de petróleo da África, a ausência de capacidade própria de refino exigia a importação de combustíveis a custos elevados. Atualmente, a refinaria do grupo supre mais de 70% do consumo energético nigeriano, e os planos de expansão visam dobrar essa capacidade de refino.

Enquanto o analista de investimentos Oluwasina Oluwaleke aponta que a iniciativa recebe forte apoio popular devido ao estímulo à independência econômica regional — impulsionada também por interrupções no fornecimento ligadas à guerra com o Irã —, o projeto enfrenta questionamentos. A organização Oxfam relatou em 2024 que Dangote detém um "quase monopólio" no setor de cimenteiro e que a incursão no petróleo gera receios sobre um novo monopólio privado. O bilionário nega as acusações, afirmando que investe onde outros não conseguiram.

Críticos como o jornalista Lekan Sote avaliam que a promessa de independência econômica continental trazida pela refinaria é exagerada, embora reconheçam potencial na redução de preços por economia de escala. Kingsley Moghalu, ex-vice-governador do Banco Central da Nigéria, argumenta que a riqueza gerada por Dangote é pessoal e não tem beneficiado significativamente a população comum. O conglomerado também enfrentou contestações ambientais, incluindo um acordo de indenização de US$ 270 mil pago em 2020 por sua cementeria a moradores afetados por problemas de saúde nos arredores de uma fábrica.

Riscos e alertas aos novos investidores

Apesar do entusiasmo generalizado e da possibilidade de compra mínima fixada em 5.525 nairas (cerca de R$ 20), especialistas financeiros recomendam cautela. O consultor financeiro Abdulrazak Ibrahim Fagge advertiu que os preços dos ativos podem oscilar e orientou que os cidadãos — especialmente aqueles que investem pela aplicação de ações pela primeira vez — utilizem apenas recursos dos quais não precisarão nos próximos anos.

Fonte: https://g1.globo.com/economia/noticia/2026/10/11/quem-e-o-homem-mais-rico-da-africa-e-por-que-ele-quer-vender-parte-de-seu-imperio.ghtml

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