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IA no cinema e TV: como a tecnologia transformou a indústria

A inteligência artificial já é uma realidade invisível nos bastidores do cinema e da TV, otimizando produções e reduzindo custos. Do Oscar 2025 ao lançamento de <em>George Washington</em> em 2026, a tecnologia ganha espaço mesmo em obras que assumem seu uso. Saiba como a IA está transformando a indústria e quais os impactos para profissionais e plateia.

Redação•28 de ago. de 2026, 07:57
IA no cinema e TV: como a tecnologia transformou a indústria
Imagem: site

IA no cinema e TV: como a tecnologia transformou a indústria

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Um escândalo abalou os bastidores do Oscar 2025 quando foi revelado que O Brutalista, até então favorito ao prêmio máximo, utilizou uma ferramenta de inteligência artificial generativa para aprimorar o sotaque húngaro do ator Adrien Brody. A polêmica, embora não tenha impedido que o filme conquistasse uma estatueta, expôs uma tendência crescente na indústria: a adoção discreta, mas cada vez mais disseminada, de tecnologias de IA.

Netflix e a revolução silenciosa

A Netflix, tradicionalmente cautelosa em relação a inovações disruptivas, deu um passo ousado ao lançar o estúdio INKubator, dedicado à produção de animações geradas por IA. Em 2026, a plataforma anunciou que otimizou etapas de cerca de 300 títulos com a tecnologia, incluindo a minissérie brasileira Brasil 70. Nela, a IA preencheu arquibancadas com torcedores desfocados — antes feito com efeitos visuais complexos e custosos. A estratégia não apenas reduziu custos, mas também agilizou processos que antes demandavam semanas de trabalho manual.

O público, por sua vez, parece não se importar com a artificialidade. O filme George Washington (2026), que estreia nos cinemas brasileiros nesta quinta-feira (3), assumiu o uso de IA em todos os seus efeitos especiais e, mesmo assim, alcançou o segundo lugar no ranking de filmes mais vistos nos EUA no lançamento internacional, em 4 de julho.

Impactos na cadeia produtiva e criativa

O medo de que a IA substitua empregos humanos persiste, mas Paulo Barcellos, CEO da O2 Filmes — responsável pela série Brasil 70 —, relativiza o discurso apocalíptico. Desde janeiro de 2024, a produtora mantém um laboratório para estudar tecnologias estrangeiras e, segundo Barcellos, nenhum funcionário foi demitido ou deixou de ser contratado por conta da IA. A ferramenta, no entanto, já se espalha por diversas áreas: decupagem de roteiros, otimização de escalas e tradução rápida de textos para projetos internacionais.

“Antes, levávamos uma semana para reescrever páginas em inglês. Muitos projetos não saíam do papel por falta de tempo”, explica Barcellos. A IA também democratizou a produção de storyboards, ilustrações que representam a composição visual de um filme, antes limitada por orçamentos apertados. O cineasta Martin Scorsese, recentemente nomeado conselheiro da Black Forest Labs, já planeja usar essas ferramentas em futuros projetos.

Grandes nomes da indústria já aderiram à tendência. Andy Serkis, ator e produtor, vai dirigir um derivado de O Senhor dos Anéis em 2027, com parte do elenco rejuvenescido por IA. Steven Soderbergh usou a tecnologia para criar imagens do documentário John Lennon: The Last Interview, exibido no Festival de Cannes 2026. Até mesmo atores falecidos, como Val Kilmer, foram “ressuscitados” digitalmente para estrelar As Deep as the Grave.

Maquiagem, dublagem e a democratização do audiovisual

A IA também avançou em áreas como maquiagem digital e retoques estéticos, com ferramentas como o Vanity AI, que já foi aplicado em mais de 27 produções hollywoodianas, incluindo Homem-Aranha: Sem Volta para Casa e a temporada final de Stranger Things.

Para o cinema brasileiro, a tecnologia representa uma oportunidade de competir em pé de igualdade com Hollywood. “Nunca tivemos um Game of Thrones nacional porque não há verba para isso. Nos próximos anos, nossas obras vão competir com produções de centenas de milhões de dólares”, afirma Barcellos. Outro avanço promissor é a dublagem por IA, que ajusta os lábios dos atores a qualquer idioma, ampliando o alcance de produções nacionais.

O Festival de Cinema de Tribeca 2026 inaugurou sua primeira exibição de um filme inteiramente gerado por IA: Dreams of Violets, do artista britânico-iraniano Ash Koosha. A obra retrata 47 anos de resistência civil no Irã, com paisagens e atores virtuais que evitam riscos à equipe em território hostil. Koosha, entretanto, já prepara uma adaptação de A Odisseia para desafiar os efeitos práticos de Christopher Nolan — e até Elon Musk prometeu criar sua própria versão com a ferramenta Grok Imagine.

Fonte: https://veja.abril.com.br/cultura/luz-camera-ia-como-a-tecnologia-invadiu-a-tv-e-o-cinema-sem-pedir-licenca/

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