O Ibovespa operava em leve alta de 0,39%, atingindo 205 mil pontos por volta das 12h desta sexta-feira, 16. O movimento é impulsionado pelo otimismo global e pelo alívio externo, enquanto o dólar recuava 0,1%, cotado a 5,09 reais. No cenário internacional, as atenções concentraram-se nas declarações de Kevin Warsh, presidente do Federal Reserve (Fed), o banco central dos Estados Unidos. Warsh optou por não confirmar a possibilidade de uma alta nos juros americanos, atenuando a pressão sobre mercados emergentes como o Brasil.
Fábio Murad, consultor da Wiser Asset, avaliou que a postura de Warsh reduziu o receio de um discurso mais duro após surpresas inflacionárias nos EUA. O dirigente do Fed indicou que o banco central reavaliará a economia nas reuniões de outubro e dezembro, sem antecipar a trajetória dos juros e defendendo que as decisões sejam tomadas pelo Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC). Segundo Murad, a ausência de sinalização de alta diminui a pressão imediata pelo dólar e estimula o apetite por ativos de risco, favorecendo a Bolsa brasileira e os juros futuros, embora ressalte que a fala não represente compromisso com a manutenção das taxas nem indique cortes iminentes.
Em contrapartida, o cenário doméstico mantém os investidores cautelosos devido às eleições presidenciais. Daniel Teles, especialista e sócio da Valor Investimentos, aponta que o mercado entrou em compasso de espera. Nos últimos três pregões, o Ibovespa registrou quedas motivadas por pesquisas eleitorais que indicam uma disputa acirrada no segundo turno, com a perda de vantagem do senador Flávio Bolsonaro. Levantamentos da Quaest e do Datafolha divulgados na quarta e na quinta-feira mostravam Flávio com 51% dos votos válidos contra 49% de Lula. Já a pesquisa PoderData/Aya desta sexta-feira apontou empate técnico entre Flávio Bolsonaro e Lula, com 50% dos votos válidos para cada um, dentro da margem de erro de 1,8 ponto percentual. A distância entre os candidatos, que era de 6 pontos em 8 de outubro e caiu para 2 pontos dias antes, zerou, gerando cautela local até a divulgação oficial das urnas para o segundo turno marcado para o dia 25.
No âmbito macroeconômico, o Banco Central divulgou o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), prévia do Produto Interno Bruto (PIB), que cresceu 0,3% em agosto e superou a expectativa do mercado de alta de 0,12%. O avanço foi puxado pelo crescimento de 0,9% da indústria, enquanto a agropecuária recuou 1,8% e o serviços subiram 0,2%.
Para Yihao Lin, economista da Genial Investimentos, o resultado interrompe duas quedas mensais consecutivas, mas reforça a perspectiva de estagnação econômica no terceiro trimestre e a necessidade de cortes de juros. Lin observa que o índice permanece próximo de seu nível mais alto na série com ajuste sazonal, sugerindo um arrefecimento gradual da economia em 2026, limitado pelo descompasso entre as políticas monetária e fiscal.
Gustavo Sung, economista da Suno Research, avalia que o dado corrobora uma desaceleração compatível com o reequilíbrio econômico aguardado pelo Banco Central, mas pondera que cortes na Selic podem ser menos intensos do que a média prevê. Com inflação de serviços pressionada pelo mercado de trabalho e expectativas inflacionárias desancoradas, a Suno projeta que o índice encerre o ano acima do teto da meta de 3%. Sung defende cautela do Banco Central e decisão calibrada no Copom pós-eleições, considerando taxas terminais revisadas para pelo menos 13,50% ao ano até o fim de 2026, enquanto o Boletim Focus aponta 13,25%.
