O Serviço de Imigração e Alfândega dos EUA (ICE) determinou novas instruções internas para a realização de abordagens veiculares, exigindo que os agentes concluam cursos específicos de treinamento e que os veículos de operação contem com luzes e sirenes. O memorando, datado de 30 de setembro e analisado pela CNN, altera orientações anteriores conforme um alto funcionário do órgão, surgindo após incidentes controversos envolvendo disparos fatais e não fatais, além de debates internos na gestão do presidente Donald Trump sobre a fiscalização migratória.
De acordo com o documento, somente os agentes da divisão de Operações de Fiscalização e Remoção (Enforcement and Removal Operations) que tenham concluído com êxito um dos seis treinamentos da agência estão autorizados a executar abordagens tradicionais e de alto risco. Os demais servidores presentes nas operações podem atuar apenas em funções de apoio. O texto também estabelece que todos os agentes no local devem portar e manter ativada uma câmera corporal fornecida pela instituição.
As diretrizes proíbem explicitamente perseguições veiculares caso os condutores se recusem a parar, determinando que os agentes registrem informações para investigações posteriores. O memorando regulamenta ainda o uso de técnicas como o bloqueio físico de veículos — conhecido como pinning — e dispositivos para esvaziar pneus, permitindo o bloqueio com viaturas ou barreiras físicas para a segurança dos ocupantes, dos agentes e de outros motoristas na via.
Um porta-voz do ICE declarou que as diretrizes não representam novidade, classificando o documento como um lembrete periódico da liderança da corporação aos agentes da lei, e afirmou que as abordagens continuam sem alterações estruturais. No entanto, o memorando ocorre em um cenário de forte repercussão política e pública após sucessivos episódios de violência.
No início do verão, o presidente Donald Trump expressou forte irritação com a suspensão temporária da maioria das abordagens veiculares pelo ICE, medida adotada após tiroteios no Texas e no Maine. A suspensão gerou críticas da base política do governo, que interpretou a decisão como branda diante das diretrizes de controle migratório. As interações entre agentes federais, imigrantes e cidadãos americanos geraram diversos registros em vídeo durante o segundo mandato de Trump.
Entre os episódios recentes, destaca-se a morte de Renee Good, cidadã americana baleada por um agente do ICE em Minneapolis enquanto dirigia e protestava contra a agência. Embora o Departamento de Segurança Interna (DHS) tenha alegado inicialmente o uso do veículo como arma, gravações e relatos colocaram a versão em dúvida, resultando em duas ações cíveis protocoladas pela família de Good nesta quinta-feira (1°).
Em julho, os imigrantes Lorenzo Salgado Araujo, em Houston, e Joan Sebastian Durán Guerrero, em Biddeford, Maine, foram mortos a tiros por agentes do ICE em incidentes separados por cerca de uma semana. Os episódios resultaram em orientações do DHS para suspender temporariamente a maioria das abordagens de veículos e estreitar a coordenação com autoridades locais. No mês passado, outro incidente envolveu um homem da Venezuela e entregador do DoorDash, baleado e ferido por um agente do ICE em Austin, Texas.
