Documentos internos obtidos pela CNN revelam que uma ampla operação do Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos (DHS) contra fraudes eleitorais utilizou dezenas de milhões de registros, examinou dezenas de organizações sem fins lucrativos e considerou o uso de agentes infiltrados.
A iniciativa fez parte de uma campanha da administração Trump voltada para a integridade eleitoral, mobilizando investigadores federais, bancos de dados de imigração e cadastros de eleitores. A HSI (Setor de Investigações do Departamento de Segurança Interna), divisão de investigações do ICE (Serviço de Imigração e Alfândega dos EUA), conduziu a empreitada em etapas, que abrangeram obtenção de listas de eleitores, análise de dados e investigações de campo.
Um relatório da HSI datado de 1º de junho indicou que os investigadores processaram 50,6 milhões de registros de um banco de dados do Departamento de Justiça e outros 48,4 milhões de registros obtidos por Heather Honey, conselheira sênior do Secretário de Segurança Interna, Markwayne Mullin, por meio de fontes independentes não identificadas. Os documentos detalham que a análise priorizou organizações e facilitadores, em vez de focar apenas em pistas individuais.
Investigações e auditorias foram realizadas em entidades de registro de eleitores na Pensilvânia, Nova Jersey e Ohio. Contudo, diversas análises não encontraram irregularidades, resultando no encerramento de apurações sem indícios desabonadores em grupos de Nova Jersey e de Ohio. Por outro lado, registros anteriores mostraram que, no Condado de Franklin, Ohio, um agente da HSI cobrou informações de autoridades sobre grupos locais, incluindo a Ohio Organizing Collaborative, organização progressista que acabou alvo de uma operação de busca e apreensão em junho.
O relatório de junho também apontou que autoridades avaliaram o emprego de agentes infiltrados para interagir com entidades suspeitas de incentivar o registro irregular de não cidadãos, elegendo Nova Jersey e Pensilvânia como áreas prioritárias para coletar provas e rastrear fluxos financeiros.
Em comunicado, Skye Perryman, presidente e CEO da Democracy Forward — organização que divulgou os registros na quarta-feira (7) —, criticou a iniciativa, afirmando que o presidente e seus aliados buscam escolher os eleitores em vez de permitir que a democracia funcione.
