As Forças Armadas do Iêmen realizaram 20 ataques aéreos de precisão contra alvos da milícia houthi na província de Taiz, localizada no sudoeste do país. A informação foi divulgada nesta sexta-feira (2) por Majed Abdullah Al-Nuzaily, porta-voz oficial das Forças Armadas iemenitas, por meio de uma publicação na rede social X.
De acordo com o porta-voz, a ofensiva ocorreu ao longo de um período de três horas e teve como foco a destruição de movimentações, reforços, concentrações, veículos e equipamentos militares da milícia. Os bombardeios atingiram áreas como Hameer, Bani Bakar, Same, Al-Aqrud, Rua Sessenta, Al-Amor, Midi Bani Hassan e Al-Waziya.
Al-Nuzaily afirmou que os disparos atingiram diretamente os alvos inimigos, provocando baixas entre os combatentes do grupo, além de danos materiais ao armamento e às operações da milícia houthi. Taiz é descrita como a terceira maior cidade do Iêmen, além de atuar como o principal centro comercial, industrial e cultural do território nacional.
Contexto de escalada no conflito
A ofensiva ocorre em meio a um cenário de recrudescimento da guerra civil iemenita, que mantinha-se majoritariamente congelada desde a instauração de uma trégua em 2022. Os conflitos voltaram a se intensificar em diversas frentes antigas nas últimas semanas, impulsionados pelo avanço dos houthis em direção ao sul pela costa do Mar Vermelho.
O grupo tomou o controle do porto de Mocha, estendeu seu domínio pelo restante da costa e ilhas da região, e alcançou o estreito de Bab el-Mandeb, corredor marítimo vital que liga o Mar Vermelho ao Golfo de Áden. Conforme dados da Kpler citados pela agência Reuters, cerca de 7% da produção global de petróleo transitou pelo estreito em junho. A expansão houthi na rota também representa uma ameaça a caminhos alternativos de exportação de petróleo utilizados pela Arábia Saudita.
Dados divulgados pela ONU apontam que os combates recentes já resultaram em mais de 700 mortes e milhares de feridos. O cenário de violência também forçou o deslocamento interno de quase 130 mil iemenitas, enquanto mais de 3 mil pessoas deixaram o país de barco em direção ao continente africano.
