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Economia

Impacto da eleição do Congresso em impostos e economia

Eleições para o Congresso em 2027 definirão rumos da reforma tributária, impostos, desoneração da folha e o destino de bilhões em emendas.

Redação•12 de out. de 2026, 05:30
Impacto da eleição do Congresso em impostos e economia
Imagem: site

Impacto da eleição do Congresso em impostos e economia

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As eleições para o Congresso Nacional que definem deputados e senadores com posse marcada para 1º de fevereiro de 2027 trazem repercussões diretas sobre a economia, a carga tributária das famílias, os custos operacionais das empresas e o direcionamento de bilhões de reais em recursos públicos para estados e municípios. Mesmo sem novas votações, a legislação atual já produzirá efeitos, mas o novo Parlamento terá poder de decisão sobre regras importantes.

Reforma tributária e o papel do Legislativo

O próximo Congresso herdará uma reforma tributária em pleno funcionamento a partir de 2027. Caberá aos parlamentares decidir quanto do sistema será preservado, corrigido ou recalibrado. Embora o chefe do Executivo tenha influência na implementação e possa propor alterações ou vetar projetos, ele não pode suspender sozinho regras previstas na Constituição ou em leis complementares.

Entre os debates previstos, Daniella Marques, coordenadora do núcleo econômico e porta-voz da candidatura de Flávio Bolsonaro (PL), afirmou que um eventual governo do partido pretende acabar com o mecanismo de split payment, que separa automaticamente os impostos no momento do pagamento a partir de 2028. Contudo, qualquer alteração exigirá a participação do Congresso.

O cronograma da reforma tributária, regulamentado pela Emenda Constitucional nº 132/2023 e pelas Leis Complementares nº 214/2025 e nº 227/2026, prevê que em 2027 ocorra a primeira substituição efetiva com a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) substituindo o PIS e a Cofins, além da cobrança provisória de 0,1% do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS). A alíquota do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) também será zerada para a maioria dos itens, mantendo a Zona Franca de Manaus. A transição completa do ICMS e do ISS para o IBS ocorrerá gradualmente até 2033.

Especialistas apontam que grupos de interesse organizados, como o agronegócio e setores tradicionais da indústria, tendem a manter sua influência na nova legislatura para negociar pontos pendentes e vetos.

Vetos presidenciais e impactos setoriais

A Lei Complementar nº 227/2026 foi sancionada com 13 dispositivos vetados pelo presidente. Caso esses vetos não sejam analisados até o final de 2026, a decisão passará para os parlamentares que assumem em 2027. A derrubada de cada veto exige pelo menos 257 votos na Câmara e 41 no Senado.

Entre os trechos vetados estão:

  • A opção de municípios e do Distrito Federal oferecerem aos contribuintes o pagamento antecipado do Imposto sobre Transmissão de Bens Imóveis (ITBI) na escritura com possível alíquota menor;
  • A inclusão de alimentos líquidos à base de vegetais na redução de 60% das alíquotas da CBS e do IBS;
  • Ampliação de benefícios fiscais para as Sociedades Anônimas do Futebol (SAFs).

Imposto sobre heranças e desoneração da folha

Os senadores eleitos também decidirão sobre o Projeto de Resolução do Senado nº 57/2019, que propõe elevar o limite máximo do ITCMD (imposto sobre heranças e doações) de 8% para 16%. O valor final, contudo, dependerá da legislação de cada estado e da adoção do valor de mercado como base de cálculo conforme estabelecido pela LC nº 227/2026.

Outro tema central é a desoneração da folha de pagamentos para 17 setores econômicos. A Lei nº 14.973/2024 determina o retorno gradual da contribuição previdenciária, com as empresas recolhendo 15% sobre os salários em 2027 e voltando a 20% em 2028. Para evitar o fim do benefício, o Congresso precisará aprovar uma nova lei, o que exigirá espaço no Orçamento e medidas de compensação de receita.

Destino de bilhões em emendas e negociações

O Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) de 2027 reservou R$ 44,8 bilhões para emendas individuais e de bancada. Caberá aos novos deputados e senadores indicar a aplicação desses recursos em áreas como saúde, infraestrutura e equipamentos públicos, impactando o espaço fiscal para despesas discricionárias do governo.

Antes mesmo da posse, o atual Congresso deve analisar até 23 de novembro de 2026 a Medida Provisória nº 1.394/2026, editada pelo governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que proíbe apostas esportivas e jogos on-line, exigindo negociações com as lideranças partidárias.

Fonte: https://g1.globo.com/economia/noticia/2026/10/12/alem-do-planalto-como-a-eleicao-para-o-congresso-pode-afetar-impostos-empresas-e-dinheiro-publico.ghtml

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