A disputa pelo controle da Câmara dos Deputados nos Estados Unidos ganhou força antes mesmo das Eleições de Meio de Mandato (Midterms), marcadas para 3 de novembro. Na chamada "batalha dos mapas", o Partido Republicano saiu na frente ao redesenhar os distritos eleitorais com o objetivo de conquistar 15 vagas atualmente ocupadas por democratas. O Partido Democrata também realizou mudanças em menor escala, visando seis cadeiras.
O processo de redistritamento consiste na alteração dos mapas eleitorais, baseada no censo realizado a cada dez anos, para adequar os distritos à população de cada estado. No entanto, a prática tem sido utilizada com motivações políticas, um processo conhecido como gerrymandering. Analistas apontam que a estratégia reduz a estabilidade e limita a competição eleitoral.
Segundo a analista internacional da CNN Brasil, Fernanda Magnotta, o problema reside no uso recorrente do instrumento para limitar a competição. Já o professor de Relações Internacionais da UFRJ, Fernando Brancoli, destaca que o mapa virou um instrumento permanente de campanha. O professor do Berea College, Carlos Gustavo Poggio, avalia o cenário como um reflexo da era Donald Trump e do fim de normas democráticas em busca de vantagem a qualquer custo.
Vantagem republicana e decisão da Suprema Corte
Embora os republicanos liderem a corrida do redistritamento, especialistas alertam que a vantagem pode não ser suficiente devido à baixa popularidade de Donald Trump. O avanço republicano foi impulsionado por uma decisão da Suprema Corte de maioria conservadora, que limitou a Lei dos Direitos de Voto e dificultou contestações de minorias contra mapas eleitorais por discriminação.
Estados com novos mapas pró-republicanos
- Texas: O mapa mira cinco distritos democratas. A votação gerou protestos de legisladores democratas que deixaram o estado e, após idas e vindas na Justiça, a Suprema Corte americana reverteu uma decisão que barrava o novo mapa.
- Flórida: Divisão de distritos em Tampa e Orlando e mudanças no sul do estado para tentar virar quatro cadeiras democratas.
- Carolina do Norte: Novas linhas visam um distrito do democrata Don Davis, com alteração efetuada em 2025 no esforço do partido de Trump.
- Louisiana: A Suprema Corte dos EUA bloqueou mapa de segundo distrito de maioria negra, permitindo que o governador Jeff Landry adiase as primárias para um novo mapa pró-republicanos.
- Tennessee: Desmantelamento do distrito de maioria negra em Memphis, representado por Steve Cohen, após decisão da Suprema Corte.
- Alabama: Redesenho voltado a mirar a vaga de um democrata negro, com decisão do Supremo revertendo bloqueio anterior de juízes.
- Ohio: Comissão controlada por republicanos aprovou redistritamento que mira as vagas de Marcy Kaptur e Greg Landsman, enquanto o distrito de Emilia Sykes deve ficar mais democrata.
Estados com novos mapas pró-democratas
- Califórnia: Democratas substituíram mapa independente por um desenhado pelo próprio partido para conquistar cinco cadeiras e neutralizar o Texas. O governo Donald Trump processou o estado, mas a Justiça rejeitou e a Suprema Corte permitiu a implementação.
- Utah: Justiça local ordenou um novo mapa com distrito de inclinação democrata próximo a Salt Lake City.
Esforços bloqueados pela Justiça
Tentativas de redistritamento foram barradas pela Justiça em Missouri, Indiana, Carolina do Sul, Virgínia, Maryland e Nova York. Os três primeiros beneficiariam os republicanos, enquanto os três últimos ajudariam os democratas.
