NewsHub
Economia

Impacto do tarifaço de Trump afeta vendas externas e desafia empresas brasileiras

Empresas brasileiras enfrentam quedas expressivas nas vendas para os EUA após tarifaço de Trump e buscam novos mercados para reverter impacto.

Redação•01 de out. de 2026, 07:30
Impacto do tarifaço de Trump afeta vendas externas e desafia empresas brasileiras
Imagem: site

Impacto do tarifaço de Trump afeta vendas externas e desafia empresas brasileiras

Ouça esta matéria em voz alta

As empresas brasileiras já registram impactos diretos em seus caixas devido às barreiras comerciais impostas pelo governo de Donald Trump. Em alguns casos, as exportações para os Estados Unidos sofreram quedas expressivas de 60% ou foram completamente zeradas. João Baroni, diretor-geral da Engemasa, aponta que o mercado norte-americano respondia por 40% do faturamento da companhia em 2025, mas registrou participação nula neste ano.

O executivo destaca que, além da taxação, a imprevisibilidade na aquisição de equipamentos tem gerado prejuízos a um mercado que levou décadas para ser consolidado. A Utilinox, fabricante de máquinas e equipamentos industriais, também relatou reduções de 60% em transações destinadas aos EUA, cenário intensificado desde o início do ano pela alíquota de 50% sobre aço e alumínio estabelecida pela Seção 232.

Para tentar contornar a situação, companhias buscam diversificar destinos e redirecionar a produção. De acordo com Laudemir Müller, presidente da ApexBrasil, cerca de 72% das 2.400 empresas atendidas pela agência que comercializam com os EUA já passaram a atuar em ao menos um mercado adicional para mitigar riscos. Entre os países apontados pela instituição estão Canadá, México, Alemanha, Turquia, África do Sul, Nigéria, Etiópia, Indonésia, Singapura, Índia e China.

A América Latina também é tratada como alternativa estratégica pela proximidade geográfica e por laços comerciais existentes, conforme avalia João Dmitruk, presidente da Câmara Setorial de Máquinas, Equipamentos e Componentes do Setor de Defesa e Segurança (CSDS) da ABIMAQ. Dados da Balança Comercial Mensal mostram que as exportações para a China registraram alta de 15% entre janeiro e agosto, totalizando US$ 77,07 bilhões (R$ 393,057 bilhões), empatando percentualmente com a União Europeia, que somou US$ 37,29 bilhões (R$ 190,17 bilhões).

No entanto, especialistas alertam que substituir o mercado norte-americano não é simples. O estrategista-chefe da Avenue, William Castro Alves, e o diretor da How2Go, Marcelo Vitali, ponderam que a economia e o nível de renda dos EUA, somados às especificidades dos produtos industriais e de cadeias produtivas, dificultam uma migração imediata de compradores. Para Higor Borges, presidente da Câmara Setorial de Máquinas e Equipamentos para Limpeza, a busca por novos mercados precisa vir acompanhada de ações para preservar a competitividade da indústria nacional.

Especialistas ressaltam que o setor de transformação brasileiro perdeu participação econômica ao longo das décadas, passando de 35,9% do PIB em 1985 para 13,7% em 2025, segundo dados da CNI. No ranking de complexidade econômica, o país recuou da 29ª posição em 1995 para a 78ª em 2024.

Como um dos possíveis caminhos de longo prazo, o acordo comercial entre Mercosul e União Europeia surge para criar condições favoráveis, com expectativa de zerar tarifas de mais de 5 mil produtos, dos quais 93% dos novos itens beneficiados de forma imediata são bens industriais.

Em paralelo, o governo federal implementou medidas de suporte. O plano Brasil Soberano chegou à terceira etapa com R$ 22,6 bilhões — sendo R$ 13,5 bilhões do Tesouro Nacional e R$ 9,1 bilhões do BNDES — voltados a exportadoras de bens, setores industriais com investimento tecnológico e companhias que fornecem para países do Golfo Pérsico. A ApexBrasil também destinou R$ 210 milhões para 35 setores realizarem estudos de mercado.

Outras frentes incluem a ampliação do Seguro de Crédito à Exportação (SCE) em 2026 para micro, pequenas e médias empresas, os recursos do Proex para financiamento e equalização de taxas, além da prorrogação por um ano dos prazos do regime de drawback para empresas atingidas pelas tarifas.

Fonte: https://g1.globo.com/economia/noticia/2026/10/01/tarifaco-de-trump-ja-derruba-vendas-de-empresas-brasileiras-veja-o-desafio-para-substituir-os-eua.ghtml

Compartilhar