A repercussão da aprovação do fim da escala 6x1 pelo Congresso brasileiro ganhou destaque na imprensa internacional, que avaliou a medida como um importante impulso para a campanha eleitoral do presidente Luiz Inácio Lula da Silva às vésperas do segundo turno.
O jornal britânico The Guardian classificou a aprovação da emenda constitucional como uma vitória política para o atual mandatário. Segundo o veículo, a mudança deve impactar diretamente trabalhadores do comércio varejista, de restaurantes e de hotéis, majoritariamente de baixa renda, setor em que Lula perdeu apoio desde o pleito de 2022. O periódico também destacou que o senador e candidato presidencial Flávio Bolsonaro se opôs à alteração por meses, mas reverteu sua posição na terça-feira ao afirmar que a maioria dos trabalhadores apoia a medida.
A emissora britânica BBC definiu a alteração como a maior reforma nos direitos trabalhistas desde o retorno do país à democracia, em 1988. De acordo com a rede, apoiadores do presidente estimam que a legislação beneficiará mais de 30 milhões de pessoas e ajudará a reduzir a vantagem do adversário de direita, Flávio Bolsonaro, no segundo turno marcado para 25 de outubro.
O Financial Times pontuou que a Proposta de Emenda à Constituição (PEC), aprovada pelo Senado na quarta-feira (14), integrava as promessas de campanha de Lula. O jornal londrino reforçou que aliados apostam na medida para fortalecer a corrida presidencial do político veterano na reta final.
Nos Estados Unidos, o Washington Post informou que a PEC reduz a jornada máxima semanal de 44 para 40 horas, mantendo os salários intactos. O texto estipula um prazo de 14 meses para que as empresas implementem a nova carga horária, superando propostas iniciais de empresários e legisladores que pretendiam uma transição de até 10 anos. A publicação também relatou que senadores entoaram o nome de Lula após a votação, enquanto apoiadores de Bolsonaro deixaram o plenário rapidamente.
Na França, o jornal Le Monde apontou que a pauta era defendida pelo governo federal há meses e representa uma estratégia para diminuir a desvantagem em relação a Flávio Bolsonaro antes do segundo turno. Na Espanha, o El País destacou que dezenas de milhões de trabalhadores conquistaram um segundo dia de folga, frisando que a equipe de campanha de Lula aposta na mudança para reverter o cenário eleitoral, visto que Bolsonaro liderou o primeiro turno por 1,8 ponto percentual.
O portal alemão DW (Deutsche Welle) estimou que mais de 37 milhões de trabalhadores podem ser favorecidos, embora o texto mantenha de fora uma parcela expressiva da economia informal, como autônomos e entregadores. Na Argentina, o La Nación lembrou que a Câmara dos Deputados já havia avalizado a proposta com ampla maioria, embora ela tenha permanecido estagnada no Senado por meses. Por sua vez, o Clarín registrou que parlamentares da oposição criticaram a rapidez na tramitação e o uso do aparato estatal em consonância com o calendário eleitoral.
