A inclusão dos fertilizantes NPK — nitrogenados, fosfatados e potássicos — na política brasileira de minerais críticos tem o potencial de ampliar o reconhecimento estratégico desses insumos para a economia nacional e a segurança alimentar. A avaliação foi apontada por Bernardo Silva, diretor executivo do Sindicato Nacional da Indústria de Matérias-Primas para Fertilizantes (Sinprifert), durante entrevista ao CNN Agro News.
De acordo com o dirigente, a medida representa um avanço inédito ao tratar os fertilizantes como insumos vitais e infraestrutura estratégica para o país. O setor produtivo espera que a política reforce a atenção governamental diante da alta dependência brasileira em relação ao mercado externo.
Dependência externa e riscos ao agronegócio
Os dados apresentados pelo executivo apontam que o Brasil importa cerca de 90% dos nutrientes consumidos na fabricação de fertilizantes. Os índices de dependência variam conforme o insumo:
- Potássio: 97%
- Nitrogênio: 97%
- Fosfato: 74%
Silva destaca que essa alta exposição ao cenário internacional gera vulnerabilidade para o agronegócio brasileiro, cujo setor representa aproximadamente um quarto do Produto Interno Bruto (PIB) do país.
Desafios na produção nacional e matérias-primas
Apesar de a retomada das fábricas de fertilizantes da Petrobras ser vista como um passo importante para elevar a oferta interna, o Sinprifert aponta que a medida não soluciona sozinha os gargalos da cadeia produtiva. As unidades reativadas concentram-se em fertilizantes nitrogenados, como ureia, e em amônia.
Contudo, a indústria nacional permanece dependente de insumos importados para viabilizar outras categorias. O diretor aponta que o principal ponto de vulnerabilidade está na escassez de matérias-primas como a amônia e o enxofre — este último utilizado na fabricação de ácido sulfúrico para fertilizantes fosfatados. Com quase todo o enxofre importado, oscilações de custo e disponibilidade afetam a viabilidade de indústrias e minerações de fosfato locais.
Para o dirigente, uma base doméstica forte evitaria riscos de desabastecimento e blindaria o país contra crises geopolíticas e restrições de fornecedores externos, a exemplo de China, Marrocos e Rússia.
Disputa global por enxofre
A indústria também enfrenta uma intensa concorrência internacional pelo enxofre. Segundo Silva, o desafio atual não reside apenas nas cotações da matéria-prima, mas na disputa global por volumes, impulsionada por setores como a hidrometalurgia para extração de níquel, cadeias industriais voltadas à transição energética e a fabricação de ácido fosfórico para baterias e fertilizantes.
