A indefinição no Supremo Tribunal Federal (STF) e a crise entre seus gabinetes estão impactando diretamente o andamento das investigações do caso Master na Polícia Federal (PF). A palavra de ordem dentro da corporação é de cautela e de aguardar desdobramentos, segundo apuração do analista de Segurança Pública Elijonas Maia.
Durante o programa CNN Novo Dia, Elijonas revelou que delegados envolvidos nas apurações e integrantes da cúpula da Polícia Federal estão sem saber a quem devem encaminhar os pedidos de medidas judiciais. Os investigadores têm dúvidas sobre se devem direcionar os pedidos de buscas e apreensões para o gabinete do ministro André Mendonça, relator do caso, ou ao presidente da Corte, ministro Edson Fachin, que avocou todo o processo para si.
Existe ainda a possibilidade de aguardar a definição sobre a eventual abertura de investigação contra Alexandre de Moraes, cujo pedido foi suspenso após o ministro Flávio Dino pedir vista, ficando para depois da eleição.
Última operação e desgaste institucional
A última operação da Compliance Zero, que investiga o caso Master, ocorreu no início de julho e teve como alvo o publicitário Thiago Miranda. Segundo o analista, Miranda fez a relação com Daniel Vorcaro, pedindo dinheiro para o filme Dark Horse, e também contratou perfis nas redes sociais para atacar o Banco Central. Desde então, nenhuma nova representação da Polícia Federal foi encaminhada ao gabinete de André Mendonça, restando apenas um pedido posterior da PF para apreender o passaporte de Miranda devido ao risco de fuga.
Além da indefinição institucional no STF, o travamento das investigações é atribuído ao desgaste na relação entre a cúpula da Polícia Federal e o gabinete de André Mendonça. A avaliação da corporação é de que o relator estaria agindo como investigador ao solicitar determinadas ações, culminando no pedido de um relatório com mensagens trocadas entre Daniel Vorcaro e Alexandre de Moraes.
Diante desse cenário, a orientação nos bastidores da cúpula da Polícia Federal permanece sendo aguardar uma definição no Supremo Tribunal Federal para que o inquérito possa avançar.
