O chamado "índice do medo", indicador que mede a expectativa de volatilidade do mercado brasileiro, registrou uma nova máxima recorde pelo segundo dia consecutivo nesta sexta-feira (2). O patamar superou os 32 pontos, impulsionado pela proximidade do primeiro turno das eleições de 2026, marcado para este domingo (4).
O S&P/B3 Ibovespa VIX encerrou a sessão negociado a 32,77 pontos, o que representa um avanço de quase 1,17% em relação ao dia anterior, quando havia fechado aos 32,39 pontos. Criado em 2024, o indicador tem acumulado recordes expressivos ao longo da semana. Na segunda-feira (28), atingiu a máxima histórica de 31,84 pontos, seguida por um novo pico na terça-feira (29), quando fechou aos 32,06 pontos.
A sequência de marcas históricas ocorre em meio à reta final da disputa em primeiro turno pela Presidência da República. A dois dias do pleito, uma pesquisa do Datafolha divulgada nesta quinta-feira (1º) apontou Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com 42% das intenções de voto, enquanto o senador Flávio Bolsonaro (PL) apareceu com 38%. No cenário de votos válidos, a vantagem entre os dois candidatos é de 5%, com o petista somando 45% e o representante do PL registrando 40%.
Cenário internacional e petróleo
No ambiente externo, o mercado internacional registrou retração nos preços do petróleo. O movimento foi motivado pelo anúncio do G7 de liberar 100 milhões de barris de diesel e petróleo bruto de suas reservas de emergência, em um cenário de altas tensões no Oriente Médio e de distanciamento em relação a um possível acordo entre Estados Unidos e Irã.
Negociado na ICE, em Londres, o petróleo Brent para dezembro encerrou em baixa de 0,06%, cotado a US$ 102,25 o barril. Na Nymex, o petróleo WTI para novembro recuou 1,9%, fechando a US$ 91,11 o barril. Na avaliação semanal, o Brent acumulou alta de 4,94%, enquanto o WTI registrou queda de 1,41%. O WTI chegou a desabar até 4% nas mínimas da sessão após a divulgação do comunicado conjunto do G7, que detalhou a intenção de disponibilizar as reservas ao longo dos próximos quatro meses, com uma liberação antecipada de diesel nos primeiros 20 dias.
A sessão também refletiu a repercussão positiva em Wall Street, que fechou em alta após a divulgação do relatório de emprego dos Estados Unidos, o payroll, referente ao mês de setembro. O indicador veio bem abaixo do esperado, reforçando apostas na manutenção das taxas de juros pelo Federal Reserve (Fed) na reunião deste mês.
Dólar e o funcionamento do VIX Brasil
O dólar comercial encerrou o dia com variação negativa de 0,13%, cotado a R$ 5,2173. No acumulado da semana, a moeda americana registrou alta de 0,65%, enquanto no ano apresenta queda de 4,95%.
Calculado com base nas opções sobre o Ibovespa B3, o VIX Brasil estima a volatilidade implícita para os próximos 30 dias. O indicador atua como um termômetro para mensurar a percepção de risco dos investidores, sendo amplamente utilizado por gestores e analistas na proteção de carteiras e na gestão de risco durante períodos de incerteza acentuada.
