O influenciador e jornalista Mateus Fernandes, de 26 anos, denunciou à Polícia Civil e ao Ministério Público de São Paulo o recebimento de ataques e ameaças de morte na internet após declarar voto no presidente Lula nas eleições de 2026. O caso foi formalizado na última segunda-feira (12).
Com produção de conteúdo voltada para debates sobre questões raciais e ambientais nas periferias há cinco anos, Mateus alcança 2 milhões de acessos mensais. Segundo o influenciador, as intimidações começaram após o primeiro turno do pleito, período em que declarou apoio à reeleição de Lula e liderou uma campanha de "vira-voto" ao lado de mais de 500 criadores de conteúdo.
Mateus relatou à CNN Brasil que os comentários continham insultos racistas, propagavam intolerância religiosa e traziam menções a ideologias de extrema-direita e supremacia branca. “Algumas delas tinham referência à organização de ódio de supremacia branca, a Ku Klux Klan, e também a exaltação de um comandante de campo de concentração de extermínio nazista, defendendo a construção de um país racialmente puro”, afirmou o influenciador.
As ameaças se intensificaram em 7 de outubro, quando o endereço residencial do criador de conteúdo foi exposto em uma postagem no Facebook. Embora o autor original tenha apagado a publicação, os dados pessoais continuaram circulando, forçando Mateus a deixar sua residência. No total, foram registradas oito ameaças de morte.
O influenciador também apontou que já havia sido alvo de ataques virtuais durante o período eleitoral de 2018, na campanha de Jair Bolsonaro, mas destacou que a atual onda de hostilidades atingiu um patamar muito mais grave.
Em vídeo veiculado nas redes sociais, Mateus expressou o temor constante de estar em sua casa ou transitar pelas ruas. “Eu estou com receio de andar sozinho na rua, eu não estou na minha casa, estou gravando vídeos e deixando agendados enquanto eu estou em outro endereço. Eu não consigo andar na rua sozinho, com medo de alguém estar me perseguindo”, declarou.
Busca por ajuda e medidas legais
No dia 11 de outubro, o influenciador tentou contatar a Meta para denunciar os comentários ofensivos no Facebook e solicitar orientações, mas relatou não ter recebido retorno. No dia seguinte, registrou um boletim de ocorrência na Delegacia Digital de Crimes Cibernéticos, relatando ameaças de morte e tortura, racismo, intolerância religiosa e apologia ao nazismo.
A defesa de Mateus, conduzida pelo advogado Thiago Farias, acionou o MPSP com um pedido de preservação de provas digitais, identificação dos autores e encaminhamento do caso à DECRADI (Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância). A representação jurídica incluiu 13 capturas de tela e apontou indícios de que os ataques possam ter ocorrido de forma coordenada. Uma nova análise das postagens recentes do influenciador está em andamento para mapear eventuais ameaças adicionais.
Em nota oficial, o MPSP informou que a representação está sob análise da Promotoria de Justiça dos Direitos Humanos da Capital. Questionada sobre a ausência de resposta ao influenciador, a Meta declarou que não vai comentar o assunto.
