A escassez de médicos especialistas em municípios distantes e regiões rurais do Brasil desafia a gestão pública de saúde. Segundo dados da Demografia Médica no Brasil 2025, o país registrava 353 mil médicos especialistas ao fim de 2024, mas com forte concentração na região Sudeste — que detinha 46,3% dos profissionais — e em grandes centros urbanos.
Enquanto prefeituras enfrentam dificuldades para atrair e fixar profissionais, mesmo oferecendo salários elevados, transporte e hospedagem, a alternativa comum tem sido o transporte de pacientes por longas distâncias em vans, carros e ônibus. A situação gera riscos, custos e o agravamento de doenças que poderiam ser evitadas com acompanhamento oportuno, impactando também a produtividade econômica e os gastos previdenciários.
A adoção de infraestrutura tecnológica é apontada como alternativa para reverter esse cenário. Plataformas digitais que combinam teleconsultas, prontuários eletrônicos, exames e gestão de filas conectam especialistas de centros urbanos a pacientes em pequenas localidades. Embora exames físicos presenciais permaneçam indispensáveis, o uso da telemedicina e o acompanhamento remoto de crônicos ajudam a reduzir deslocamentos e otimizar diagnósticos.
O financiamento federal também conta com novas modalidades, como o programa Agora Tem Especialistas. Por meio das Ofertas de Cuidados Integrados (OCIs), há previsão de pacotes que englobam consultas, exames e diagnósticos com valores que variam entre R$ 200, R$ 270, R$ 350 e R$ 400, dependendo da modalidade — valores que contrastam com o padrão de R$ 10 da tabela convencional do SUS para consultas especializadas. O potencial de arrecadação e financiamento depende de regras de repasse e execução municipal.
Para Fabio Veras, empresário e membro do Conselho Nacional de Proteção de Dados, os governos estaduais e federais que assumirão em 2027 devem tratar a tecnologia em saúde como política de desenvolvimento econômico. A proposta é inverter a lógica histórica de deslocar pacientes, utilizando softwares e sistemas integrados para levar o atendimento especializado aos cidadãos independentemente da distância.
