Para o economista Alexandre Manoel, ex-secretário do Ministério da Fazenda e da Economia, a dianteira assumida pelo senador Flávio Bolsonaro sobre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva na corrida eleitoral decorre principalmente de uma insatisfação dos eleitores com a governança política e institucional da gestão petista, e não por motivos econômicos.
Em entrevista, o especialista apontou que a imagem de Lula ficou associada a instabilidades no Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo ele, a população enviou um recado claro tanto na disputa presidencial quanto no Legislativo em relação ao STF, citando a suspensão de investigações relativas a Alexandre de Moraes e decisões que adiaram o debate da Globo, o que estimulou o voto útil e uma renovação no Senado com eleitores migrando do Centrão para a direita.
Manoel avalia que a economia continua sendo um canal tradicional de aprovação ou reprovação, havendo em segundo plano uma demanda por ajustes econômicos necessários e a falta de disposição de Lula para realizá-los, embora este não tenha sido o fator determinante do voto.
O ex-secretário também comentou a atuação do ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad, afirmando que ele conseguiu recompor a arrecadação e realizar um trabalho que gestões anteriores tentaram entre 2016 e 2022 sem sucesso. Ele ressaltou, contudo, que faltou atuar no lado das despesas. Para Manoel, caso Lula tivesse indicado o vice-presidente Geraldo Alckmin para substituir Haddad em março, a decisão poderia ter feito diferença, embora avalie que a medida seria tardia.
Entre os pontos de arrecadação mencionados que já haviam sido tentados anteriormente estão a taxação de fundos exclusivos, a contenção de subsídios tributários e a reforma tributária. Sobre a equipe econômica e um eventual governo de Flávio Bolsonaro, Manoel afirmou que há nomes qualificados como Daniela Marques e Adolfo Sachsida, avaliando que a situação atual é mais favorável para reformas do que o cenário enfrentado entre 2016 e 2018.
Questionado sobre acusações direcionadas a Flávio Bolsonaro, como o envolvimento com milícias, rachadinhas no período em que foi deputado estadual no Rio de Janeiro e o episódio recente de Dark Horse com Daniel Vorcaro, o economista pontuou que o eleitorado não vota na figura do candidato, mas sim na pauta em busca de respostas institucionais, econômicas e fiscais.
