O desafio da criminalidade no cenário eleitoral
A segurança pública tornou-se a maior preocupação do eleitorado brasileiro em 2026, conforme apontam pesquisas como a BTG/Nexus, liderando a pauta à frente de saúde e corrupção. Em meio à campanha eleitoral, candidatos à presidência têm adotado discursos de linha dura, muitas vezes com propostas de difícil execução ou questionáveis sob a ótica constitucional.
O senador Flávio Bolsonaro, por exemplo, defendeu em comício o uso de castração química para criminosos sexuais, redução da maioridade penal e medidas extremas contra o crime organizado, enquanto Romeu Zema propôs a criação de um presídio de segurança máxima inspirado no modelo de Nayib Bukele, em El Salvador. Outros presidenciáveis, como Renan Santos, sugerem o uso intensivo da força policial, enquanto Ronaldo Caiado foca no combate patrimonial a criminosos.
A realidade dos dados vs. discursos políticos
Especialistas alertam que o foco excessivo em encarceramento em massa é ineficaz, dado que o Brasil possui a terceira maior população carcerária do mundo, com presídios funcionando como polos de recrutamento para facções. Dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública indicam que, apesar da queda no número de mortes violentas intencionais, a sensação de insegurança é amplificada pelo avanço de crimes como feminicídio, roubo de celulares e golpes digitais.
O governo atual, sob avaliação negativa de 45% do eleitorado na área de segurança, tentou avançar com o Programa Brasil contra o Crime Organizado e a PEC da Segurança Pública, mas enfrenta críticas pela letargia e falta de resultados estruturais. A análise aponta que o desequilíbrio nos investimentos — com gasto excessivo em policiamento ostensivo em detrimento da investigação científica — prejudica o desmantelamento das estruturas financeiras das organizações criminosas.
Para enfrentar a insegurança, o debate aponta a necessidade de inteligência, planejamento e tecnologia, superando a demagogia eleitoral que prioriza medidas de curto prazo em vez de políticas públicas consistentes de longo prazo.
