NewsHub
Tecnologia

Inteligência Artificial avança em aplicativos de namoro e gera alertas

Ferramentas de inteligência artificial passam a ser usadas por usuários e plataformas em aplicativos de namoro, gerando debates sobre autenticidade e riscos.

Redação•20 de out. de 2026, 16:30
Inteligência Artificial avança em aplicativos de namoro e gera alertas
Imagem: site

Inteligência Artificial avança em aplicativos de namoro e gera alertas

Ouça esta matéria em voz alta

A Inteligência Artificial (IA) tem ganhado espaço no setor de encontros virtuais, sendo utilizada por usuários e plataformas para tentar simplificar o uso de aplicativos de namoro. Ferramentas como o ChatGPT passam a ser acionadas para criar descrições de perfis, sugerir imagens, dar ideias de respostas para conversas e até mesmo fabricar personas inteiras para interações online.

Plataformas do setor também têm incorporado a tecnologia. O Bumble adota um sistema de combinação baseado em IA, o Grindr realiza testes de conversas entre bots para avaliar possíveis parceiros, e o Hinge integra recursos para auxiliar na criação de perfis e no início de diálogos. Novos aplicativos, como Amata, Sitch e Ditto, realizam dezenas de perguntas sobre preferências para reduzir a necessidade de deslizar o dedo infinitamente pelas telas.

Mihir Manohar, morador de Nova York de 32 anos, relatou ter respondido a um longo questionário no aplicativo Amata. O chatbot sugeriu um encontro com sua atual namorada, Casey, após a organização de um encontro em um bar de vinhos. O casal está junto há 10 meses. Ludovic Hureaux, fundador do Amata, afirmou que o objetivo é fazer com que os usuários se desconectem do ambiente virtual rapidamente, sugerindo que a IA pode ajudar a combater a solidão se reconectar pessoas na vida real.

Especialistas e usuários, no entanto, apontam riscos e decepções associados ao uso da tecnologia. Jack, um profissional de ciência de dados de 38 anos de São Francisco que utilizou um pseudônimo, relatou que o ChatGPT o auxiliou a escolher fotos e redigir textos para o Hinge, mas a estratégia não melhorou sua média de acertos. Kylee Baxa, de 23 anos, de Nova York, relatou experiências em que matches usaram chatbots para inventar afinidades sobre séries de TV sem nunca tê-las assistido, ou utilizaram IA para atualizar perfis com imagens geradas ou em locais onde nunca estiveram.

Douglas Zytko, professor de ciência da computação na Universidade de Michigan-Flint, levantou questionamentos jurídicos e éticos sobre consentimento, destacando o risco de conteúdos gerados por IA influenciarem de maneira enganosa a decisão de um parceiro em buscar intimidade. Jui Ramaprasad, professora da Universidade de Maryland, aponta que o uso de amigos para redigir perfis pode revelar mais sobre a identidade do indivíduo do que os robôs.

Para se proteger na era dos encontros aprimorados por inteligência artificial, Kathryn Coduto, professora assistente da Universidade de Boston, recomenda verificar contas com selfies em tempo real, observar a variedade de fotos com familiares e amigos, e atentar-se a frases repetitivas nas mensagens. Coduto também alerta que medidas de segurança manuais continuam indispensáveis ao encontrar estranhos pessoalmente, e suspeita que o avanço da IA possa impulsionar o retorno de eventos de namoro presenciais, como clubes de corrida e encontros rápidos.

Fonte: https://www.cnnbrasil.com.br/ciencia/a-inteligencia-artificial-agora-entra-no-mundo-caotico-dos-encontros-online-usuario-fique-atento/

Compartilhar