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Inteligência Artificial impulsiona economia global e faz FMI elevar projeção para 2026

FMI eleva projeção de crescimento global para 2026 para 3,1%, impulsionado por investimentos em inteligência artificial, embora aponte riscos geopolíticos e econômicos.

Redação•13 de out. de 2026, 09:32
Inteligência Artificial impulsiona economia global e faz FMI elevar projeção para 2026
Imagem: site

Inteligência Artificial impulsiona economia global e faz FMI elevar projeção para 2026

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O Fundo Monetário Internacional (FMI) elevou de 3,0% para 3,1% a previsão de crescimento da economia global para 2026. O ajuste positivo é impulsionado pelos fortes investimentos em inteligência artificial (IA), tecnologia que tem ajudado a compensar os impactos negativos gerados pela guerra no Oriente Médio e pela alta nos preços da energia.

A estimativa faz parte do relatório "Perspectiva Econômica Global", divulgado durante as reuniões anuais do FMI e do Banco Mundial, realizadas em Bangcoc. Mesmo diante do prolongamento de conflitos e de cotações do petróleo acima de US$ 100 por barril, o Fundo projeta avanço global de 3,1% em 2026, patamar ligeiramente acima dos 3,0% estimados em julho, embora inferior aos 3,5% registrados em 2025.

Para 2027, a projeção de crescimento global foi mantida em 3,4%, ficando 0,2 ponto percentual acima da estimativa de abril. O avanço tecnológico também elevou as perspectivas para grandes economias desenvolvedoras de plataformas de IA, além de beneficiar nações fornecedoras de equipamentos para o setor, a exemplo de Coreia do Sul, Malásia, México e Tailândia.

Dados do comércio internacional apontam que a circulação de produtos voltados à inteligência artificial cresceu 29% entre 2023 e 2025, superando em mais de três vezes a expansão de 8,3% registrada pelo comércio global no mesmo período. Excluindo os itens tecnológicos, o avanço mundial teria ficado em 4,6%.

A economista-chefe do FMI, Silvana Tenreyro, destacou em entrevista coletiva a resiliência da economia mundial, ressalvando que os limites estão sendo testados. “A economia global tem se mostrado resiliente, mas essa resiliência está chegando ao limite. Por isso, precisamos passar de apenas lidar com a situação para reconstruir”, afirmou, apontando a necessidade de recompor o espaço fiscal e fortalecer a oferta.

Entre os principais riscos listados pelo FMI estão o prolongamento ou agravamento da guerra no Oriente Médio — o que pode elevar a inflação —, o encarecimento dos títulos públicos e eventos climáticos extremos ligados ao El Niño. O Fundo também alerta para a possibilidade de investidores revisarem as expectativas de retorno sobre a inteligência artificial, o que provocaria retração nos investimentos do setor e queda nos preços de ativos.

Segundo Petya Koeva Brooks, diretora adjunta do Departamento de Pesquisa do FMI, medidas rápidas adotadas por países e empresas para mitigar os efeitos do petróleo caro — como o uso de reservas, busca por novos fornecedores e redução da demanda — evitaram que o crescimento global desabasse para 2,5% em 2026.

Desigualdade entre economias e impacto regional

O relatório aponta uma disparidade acentuada: apenas 32 países respondem atualmente por 95% do crescimento global, abaixo dos 54 registrados em abril. Paralelamente, revisões para baixo atingiram 47% das economias monitoradas pelo FMI, sobretudo nações importadoras de energia que ficaram de fora das cadeias de suprimento de IA.

Países do Golfo sofreram fortes reajustes negativos devido aos reflexos dos conflitos envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã. Na Arábia Saudita, o PIB deve encolher 3,3% neste ano, revertendo a previsão anterior de alta de 1,7%. Irã, Iraque, Kuwait, Catar e Emirados Árabes Unidos também devem enfrentar recessões acentuadas em 2026, com quedas estimadas em 7,6%, 16%, 16,7%, 15,6% e 3,9%, respectivamente.

Em contrapartida, as projeções para outras grandes potências variam:

  • Estados Unidos: Crescimento estimado em 2,3% para 2026 e 2027, sustentado pelo consumo, cortes de impostos e investimentos em IA.
  • Zona do Euro: Previsão para 2026 subiu de 0,9% para 1,1%, impulsionada por investimentos em tecnologia, pela indústria química alemã e maiores gastos com defesa na União Europeia.
  • Reino Unido: Alta de 1,3% para 2026, impulsionada por investimentos em inteligência artificial.
  • China: Expectativa de 4,5% em 2026 e 4,0% em 2027, ambas revisadas para baixo em 0,1 ponto percentual ante julho, pressionadas pelo petróleo caro e demanda interna fraca.
  • Índia: Mantém-se como a grande economia de maior crescimento, com alta projetada de 7,0% do PIB tanto em 2026 quanto em 2027.

A inflação global prevista é de 4,7% em 2026, com desaceleração para 4,1% em 2027.

Incertezas sobre o petróleo e a tecnologia

As projeções do FMI baseiam-se no pressuposto de que o Estreito de Ormuz será reaberto em março de 2027 e que o transporte marítimo normalizará até outubro daquele ano, considerando preços médios do petróleo de US$ 96 por barril em 2026 e US$ 87 em 2027. Contudo, em um cenário de agravamento em que a commodity atinja US$ 130 no primeiro trimestre de 2027, o crescimento global sofreria reduções adicionais e a inflação mundial subiria para 5,2% em 2027.

A diretora-gerente do FMI, Kristalina Georgieva, resumiu a dependência do setor tecnológico afirmando: “Agora temos uma economia que se sustenta em uma perna só, a perna da IA. E se ela vacilar? E se houver decepção e isso levar a um ambiente potencialmente mais difícil?”.

Caso a adoção tecnológica supere as expectativas, o PIB global poderá registrar alta adicional de até 0,6% até 2029, concentrada nos Estados Unidos e na China. Por outro lado, caso os ganhos de produtividade falhem, o PIB americano poderá encolher 0,8%, e os mercados financeiros globais enfrentariam turbulências que levariam o PIB mundial a uma retração de até 1,1% até 2028. Ainda assim, o FMI avalia que mesmo um cenário desfavorável para a IA não seria suficiente para induzir uma recessão global.

Fonte: https://g1.globo.com/tecnologia/noticia/2026/10/13/ia-impulsiona-crescimento-global-e-leva-fmi-a-elevar-projecao-para-2026.ghtml

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