O emprego da inteligência artificial (IA) por empresas e marcas figura como a principal ameaça à reputação corporativa, conforme aponta a pesquisa Reputation Risk Index, elaborada pelo Global Risk Advisory Council, da Global Situation Room. Divulgado nesta semana, o relatório aponta a necessidade de ações urgentes por parte de líderes empresariais para conter possíveis danos duradouros às companhias.
O alerta envolvendo o emprego inadequado da tecnologia não é inédito no estudo. A inteligência artificial já ocupava o topo do ranking na primeira edição, divulgada em abril de 2025, e repetiu a posição em outras duas edições ao longo dos últimos 18 meses. Ao todo, a pesquisa desta semana marca o quarto levantamento em menos de dois anos a indicar a IA como o maior perigo para a imagem das corporações.
Isabel Guzman, presidente do conselho, aponta que a implementação acelerada da tecnologia com foco na produtividade ocorre em paralelo à queda da confiança pública na ferramenta. Conforme a especialista, a utilização excessiva ou incorreta dos recursos pode comprometer de forma ágil o vínculo das organizações com consumidores, acionistas e demais públicos de interesse, exigindo a adoção de estratégias preventivas.
Entre os transtornos vinculados à tecnologia estão questões de privacidade, segurança da informação, fraudes, ataques cibernéticos e transformações no mercado de trabalho. A pesquisa destaca ainda que a expansão da IA tem resultado em disputas judiciais contra companhias em decorrência de prejuízos gerados por suas mercadorias.
Para mitigar as ameaças, o Global Risk Advisory Council aconselha a redução ou supressão de materiais gerados por IA em canais abertos ao público, além da adoção de um compromisso com a produção de conteúdos humanos. O órgão propõe também a volta de atendentes humanos em canais automatizados de suporte ao cliente, principalmente nas etapas de maior desgaste, e a implementação de sistemas para checar a veracidade de publicações associadas à companhia ou a seus dirigentes.
Além da inteligência artificial, ocorrências ou denúncias de danos físicos, psicológicos ou emocionais a menores de idade integram a lista de principais riscos corporativos, antecedendo as violações de dados confidenciais. O topo do ranking é completado por práticas antiéticas ou ilícitas com o propósito de alcançar vantagens estratégicas ou financeiras, bem como escolhas estratégicas ou operacionais que afetem negativamente a saúde financeira ou a reputação pública das entidades.
Na edição passada, veiculada em julho, temas relacionados à cadeia de suprimentos e ao conflito entre Estados Unidos e Israel contra o Irã lideravam as preocupações, mas perderam relevância no ranking com o avanço do confronto.
